DESPEJO INADEQUADO
Esgoto irregular ameaça saúde da Ilha do Ferro e contamina o São Francisco
Sem rede coletora, dejetos da comunidade são lançados no rio, comprometendo a qualidade da água
A beleza artesanal e cultural da Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar, convive com um problema grave e silencioso: o despejo irregular de esgoto. Sem rede coletora e sem estação de tratamento, os dejetos produzidos pelas famílias da comunidade acabam sendo lançados diretamente no solo e, em seguida, no Rio São Francisco. O resultado é a contaminação da água, a degradação das condições sanitárias e a ameaça constante à saúde da população.
Poluição e riscos à biodiversidade
O esgoto sem tratamento altera a qualidade da água, polui o rio e compromete a biodiversidade aquática. Espécies que dependem de água limpa para sobreviver perdem espaço, e o equilíbrio do ecossistema é colocado em risco. Além disso, a infiltração do material no solo atinge o lençol freático, reduzindo a qualidade da água subterrânea utilizada por parte da população.
Segundo Elisabeth Rocha, o impacto é de longo alcance. “Quando se polui o rio, não se afeta apenas a comunidade da Ilha do Ferro, mas toda a bacia do São Francisco. Esse tipo de dano ambiental é cumulativo e pode gerar consequências irreversíveis se não houver intervenção rápida”, destacou.
Risco direto à saúde pública
A convivência diária com esgoto expõe os moradores a doenças de veiculação hídrica, como diarreias, verminoses e hepatites. Crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis. Para a coordenadora, o saneamento básico deveria ser encarado como política essencial de saúde. “O contato com esgoto é uma porta aberta para doenças. Investir em saneamento é investir em prevenção, em dignidade e em qualidade de vida”, reforçou Elisabeth Rocha.
Fiscalização integrada
A equipe de Abastecimento de Água Urbano e Esgotamento Sanitário da Fiscalização Preventiva Integrada é formada por representantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), Conselho Regional de Química da 17ª Região (CRQ-17), Conselho Regional dos Técnicos Industriais da 3ª Região (CRT-3), Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), Ministério Público Estadual (MPE), Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).
A atuação conjunta busca não apenas identificar os problemas, mas também apontar caminhos para soluções que garantam a preservação do Rio São Francisco e melhores condições de vida para as comunidades que dele dependem.