MERCADO DE TRABALHO

Número de alagoanos com ensino superior que recorrem a bicos cresce 37,9%

Diplomados com trabalhos alternativos passam de 169 mil para 233 mil
Por Adja Alvorável 15/11/2025 - 06:00
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Ascom Iplan
 Profissionais com ensino superior têm recorrido a bicos e atividades informais para complementar a renda em Alagoas
Profissionais com ensino superior têm recorrido a bicos e atividades informais para complementar a renda em Alagoas

O número de pessoas com ensino superior completo que recorreram a “outras formas de trabalho” cresceu 37,9% em Alagoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta semana.

Essas atividades, classificadas como “bicos”, incluem trabalhos eventuais, produção para o próprio consumo e apoio a familiares sem remuneração. Mesmo entre quem possui diploma universitário, houve avanço entre 2018 e 2022.


No período, o crescimento foi contínuo e resultou em um aumento absoluto de 64 mil pessoas com ensino superior completo envolvidas nessas ocupações no estado.

  • 2018: 169 mil pessoas.
  • 2019: 202 mil pessoas.
  • 2022: 233 mil pessoas.


Nesse mesmo período, a participação percentual dos diplomados entre o total de pessoas que recorrem a trabalhos alternativos também subiu de forma expressiva: 

  • 2018: 7,9%
  • 2019: 9,4%
  • 2022: 12,0%

Em todo o Nordeste, a proporção de pessoas com ensino superior em “outras formas de trabalho” também subiu, passando de 9,6% em 2018, para 10,9% em 2019, e atingindo 12,0% em 2022.

Segundo o IBGE, as “outras formas de trabalho” incluem bicos e ocupações sem vínculo formal, como venda de alimentos, confecção de produtos artesanais, pequenos serviços e trabalhos realizados dentro de casa para consumo próprio.

O aumento do trabalho alternativo ocorre em um contexto onde uma parcela significativa dessas pessoas está fora do mercado formal. Em 2022, 53,4% dos alagoanos que se dedicavam a outras formas de trabalho eram "Não Ocupados" na semana de referência.

Em números absolutos, isso equivale a 1,157 milhão de pessoas no estado que dependiam dessas atividades, em sua maioria, como única forma de sobrevivência ou complemento de renda.

O avanço do número de diplomados em atividades alternativas pode ser um reflexo da dificuldade de inserção profissional e a precarização do emprego. O cenário também se relaciona com as transformações do mercado pós-pandemia, que ampliaram o trabalho por conta própria e os serviços temporários.


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