MERCADO DE TRABALHO
Número de alagoanos com ensino superior que recorrem a bicos cresce 37,9%
Diplomados com trabalhos alternativos passam de 169 mil para 233 mil
O número de pessoas com ensino superior completo que recorreram a “outras formas de trabalho” cresceu 37,9% em Alagoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta semana.
Essas atividades, classificadas como “bicos”, incluem trabalhos eventuais, produção para o próprio consumo e apoio a familiares sem remuneração. Mesmo entre quem possui diploma universitário, houve avanço entre 2018 e 2022.
No período, o crescimento foi contínuo e resultou em um aumento absoluto de 64 mil pessoas com ensino superior completo envolvidas nessas ocupações no estado.
- 2018: 169 mil pessoas.
- 2019: 202 mil pessoas.
- 2022: 233 mil pessoas.
Nesse mesmo período, a participação percentual dos diplomados entre o total de pessoas que recorrem a trabalhos alternativos também subiu de forma expressiva:
- 2018: 7,9%
- 2019: 9,4%
- 2022: 12,0%
Em todo o Nordeste, a proporção de pessoas com ensino superior em “outras formas de trabalho” também subiu, passando de 9,6% em 2018, para 10,9% em 2019, e atingindo 12,0% em 2022.
Segundo o IBGE, as “outras formas de trabalho” incluem bicos e ocupações sem vínculo formal, como venda de alimentos, confecção de produtos artesanais, pequenos serviços e trabalhos realizados dentro de casa para consumo próprio.
O aumento do trabalho alternativo ocorre em um contexto onde uma parcela significativa dessas pessoas está fora do mercado formal. Em 2022, 53,4% dos alagoanos que se dedicavam a outras formas de trabalho eram "Não Ocupados" na semana de referência.
Em números absolutos, isso equivale a 1,157 milhão de pessoas no estado que dependiam dessas atividades, em sua maioria, como única forma de sobrevivência ou complemento de renda.
O avanço do número de diplomados em atividades alternativas pode ser um reflexo da dificuldade de inserção profissional e a precarização do emprego. O cenário também se relaciona com as transformações do mercado pós-pandemia, que ampliaram o trabalho por conta própria e os serviços temporários.



