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Justiça condena acusado 24 anos após matar pai de criança com Down

Antônio Santos pega 9 anos de prisão por homicídio cometido em Maceió
Por Redação com assessoria 28/11/2025 - 10:10
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MPAL
Ministério Público garante condenação de homicida após 24 anos do cometimento do crime
Ministério Público garante condenação de homicida após 24 anos do cometimento do crime

Após mais de duas décadas de espera, o réu Antônio Santos foi condenado nesta quarta-feira, 26, a 9 anos, 4 meses e 15 dias de prisão em regime fechado pelo homicídio de José Francisco de Oliveira. O crime, classificado como homicídio simples, ocorreu em 2001, em Maceió, e deixou uma família desestruturada, incluindo uma criança com Síndrome de Down que, após perder o pai, apresentou regressão e passou a necessitar de acompanhamento psiquiátrico.

A sentença foi proferida após julgamento no Tribunal do Júri, com atuação do Ministério Público de Alagoas (MPAL), representado pela promotora de Justiça Adilza de Freitas. Para o MP, a condenação representa a reparação possível diante dos danos causados e reforça à sociedade que a passagem do tempo não impede a responsabilização criminal.

“Quando entramos no salão do júri para defender a vida, compartilhamos a dor de quem perdeu um ente querido e carregou sequelas por tantos anos. Trabalhamos para que essas famílias saiam dali com a sensação de que houve uma resposta. Foi o que ocorreu nesse julgamento. O Conselho de Sentença reconheceu que o réu deveria responder pela violência que cometeu, tirando a vida de um pai que sustentava toda a família”, afirmou a promotora.

De acordo com os autos, vítima e acusado se conheciam e discutiram antes do crime. Testemunhas relataram que, após ameaçar José Francisco, Antônio deixou o local, mas retornou minutos depois armado, efetuando vários disparos. Segundo a denúncia, mesmo após os tiros, ele teria pisado no pescoço da vítima, que agonizava no chão, afirmando: “Eu não disse que ia lhe matar?”. Moradores que ouviram os disparos presenciaram a cena e também foram ameaçados.

A morte de José Francisco deixou a família em situação de vulnerabilidade financeira. O filho com deficiência intelectual, dependente do pai, desenvolveu depressão e passou a necessitar de acompanhamento médico contínuo. O MP considera que a decisão do júri reconhece a gravidade da violência e encerra um ciclo de impunidade que perdurava há mais de 20 anos.


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