Violência
Alagoas reduz homicídios em 10 anos, mas taxa supera média nacional
Boletim mostra que, em 2023, estado apresentou 3º maior número de assassinatos no Nordeste
Alagoas registrou queda consistente e expressiva nos homicídios ao longo da última década, passando de uma taxa de 66,3 mortes a cada 100 mil habitantes para 35,3. Porém, a realidade atual não tranquiliza e estado ainda ocupa posição de alerta no cenário regional.
O boletim temático “Um Retrato do Brasil e do Nordeste (2013-2023)”, elaborado a partir de dados do Atlas da Violência 2025 (IPEA e FBSP) e divulgado na semana passada pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), revela que o estado apresentou em 2023 uma das mais altas taxas de homicídios do Nordeste, de 35,3 mortes por 100 mil habitantes. A média nacional naquele ano era de 21,2 para cada 100 mil.
Em 2023, o Brasil registrou 45.747 homicídios — o menor número da série histórica recente — com uma taxa de 21,2 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. No Nordeste, a taxa estimada chegou a 32,1 homicídios por 100 mil habitantes. Confira os principais dados do estudos:
Morte por arma de fogo
Em 2013, Alagoas registrou 57,4 mortes por arma de fogo por 100 mil habitantes. Em 2023, o indicador caiu para 27,6 por 100 mil. Na década (2013/2023), Alagoas teve a maior queda entre os estados do Nordeste.
Vítimas jovens
Alagoas reduziu os índices de homicídios, especialmente jovens de 15 a 29 anos, mas essa faixa etária ainda é o cerne da violência letal no Nordeste. Em 2023, Alagoas tinha uma taxa de 9,50 mortes por 100 mil habitantes nesse grupo.
Raça
Entre 2013 e 2023, o número de homicídios de negros caiu em Alagoas em cerca de 40,8%. Igualmente, o número de homicídios de não negros também recuou de 113 casos em 2013 para apenas 10 em 2023.
Mulheres e crianças
No Nordeste, Alagoas teve a maior redução de casos de mortes violentas com vítimas infantis. O estado possuía a taxa mais elevada em 2013 (4,00) e conseguiu zerá-la em 2023, segundo o levantamento. O estado também registrou queda de 47,2%, em relação a homicídios de mulheres.
População LGBTQIAPN+
A violência contra a população LGBTQIAPN+ no Brasil é marcada pela subnotificação, mas os dados disponíveis revelam um cenário alarmante e crescente. As estatísticas, ainda que parciais, demonstram como diferentes segmentos dessa comunidade são afetados de maneiras distintas e como marcadores sociais, como a raça, aprofundam essa vulnerabilidade. Em 2023, por exemplo, foram registradas 3.524 ocorrências de violência contra mulheres trans, 1.332 contra homens trans e 659 contra travestis.




