ENTENDA

Desembargador propõe mudar o nome da Avenida Fernandes Lima, em Maceió

Nome está ligado à "Quebra de Xangô", um dos maiores episódios de intolerância religiosa no Brasil
Por Adja Alvorável 02/02/2026 - 20:07
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Bianca Amâncio
Avenida Fernandes Lima
Avenida Fernandes Lima

O desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), Tutmes Airan, propõe a alteração do nome da Avenida Fernandes Lima, em Maceió. O motivo é que o político e advogado Fernandes Lima é apontado com um dos líderes da "Quebra de Xangô", um dos maiores episódios de intolerância religiosa no Brasil.

Tutmes publicou sobre o caso nas redes sociais no domingo, 1, véspera do dia em que o episódio completa 114 anos. 

"Este episódio nefasto ficou conhecido como o Quebra de Xangô, e teve Fernandes Lima como um de seus maiores responsáveis. E é este mesmo Fernandes Lima, com histórico marcado por intolerância religiosa, violência e oportunismo político, o homenageado com o nome de uma das maiores avenidas da capital alagoana", escreveu o magistrado.

Segundo Tutmes, a Coordenadoria de Direitos Humanos do TJ-AL se reunião nesta segunda-feira, 2, com o Defensor Público Geral do Estado, Fabrício Leão Souto, para entregar uma Nota Técnica que analisa a mudança de nomes de ruas e logradouros públicos que prestem homenagem a Fernandes Lima.

"A Justiça histórica vem, na maioria das vezes, bem tarde. Ainda pior do que tardar, é quando ela nunca chega ou quando não se reconhece a urgência de realizá-la o quanto antes", concluiu o magistrado.

O que foi a Quebra de Xangô

Em 1912, na madrugada de 1 para 2 de fevereiro, mais de 150 terreiros de religiões de matriz africana foram destruídos. Objetos litúrgicos foram queimados em praça pública, religiosos foram perseguidos, agredidos e presos arbitrariamente.

Fernandes Lima foi um dos principais integrantes da Liga dos Republicanos Combatentes em 1912 em Maceió. Essa liga é apontada como responsável pela Quebra de Xangô, sob a liderança de Fernandes Lima. Ninguém foi julgado e condenado pela Quebra de Xangô.

À época, Fernandes Lima era deputado estadual. Após o episódio, ele ainda exerceu cargos de vice-governador, deputado federal e senador, além de ter dado o nome à principal via de Maceió.

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