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Cade aprofunda análise da troca de controle da Braskem e estende prazo

Autarquia aponta necessidade de exame mais detalhado do acordo entre IG4, Petrobras e Novonor
Por Redação 05/02/2026 - 08:13
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Afrânio Bastos
Braskem em Maceió
Braskem em Maceió

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu aprofundar a análise do acordo que pode levar a IG4 Capital ao controle da Braskem, ao lado da Petrobras, alongando o prazo de avaliação do negócio. Em despacho publicado no sábado, 31,, o superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza, afirmou que a operação exige “melhor compreensão dos aspectos societários envolvidos e suas repercussões concorrenciais”.

Com isso, a autarquia sinalizou a necessidade de ultrapassar o prazo padrão do rito sumário — que costuma durar até 30 dias —, embora, por ora, não tenha indicado a migração para o rito ordinário, mais longo e que pode levar meses. A tendência é que a troca de controle leve mais tempo que o inicialmente previsto, o que pode impactar o cronograma de IG4 Capital e Petrobras para discutir a reestruturação financeira da Braskem.

Conforme o portal InvesteNews, a petroquímica encerrou o último trimestre com cerca de US$ 7 bilhões em dívida líquida e alavancagem próxima de 15 vezes o Ebitda, em meio a um ciclo desfavorável do setor. Pessoas próximas às negociações ouvidas pelo InvestNews afirmam, contudo, que o mercado mantém otimismo quanto a uma solução rápida, citando precedentes aprovados sem restrições pelo Cade.

O acordo foi firmado em 15 de dezembro, quando a IG4 fechou entendimento com credores da Novonor para assumir as ações da Braskem e se tornar controladora da companhia, em parceria com a Petrobras, que permanecerá como sócia relevante e co-controladora. A expectativa é que o CEO seja indicado pela IG4 e a presidência do conselho fique com a Petrobras. O pedido foi protocolado no Cade em 23 de dezembro.

A decisão de aprofundar a análise ocorreu após manifestação da Abiplast, que ingressou no processo como terceira interessada e levantou questionamentos sobre possível reforço de alinhamento entre Petrobras e Braskem em um mercado concentrado. Embora a entidade tenha desistido formalmente da contestação, o Cade afirmou que os argumentos apresentados justificam exame mais cuidadoso por eventual interesse público.


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