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Acordos com a Braskem mantêm hospital em área de afundamento em Maceió

Órgãos contestam pacto que retira da mineradora a obrigação de reconstruir o Portugal Ramalho
Assessoria
Hospital Escola Portugal Ramalho, no Farol, foi afetado pelo afundamento do solo
Hospital Escola Portugal Ramalho, no Farol, foi afetado pelo afundamento do solo

Os Ministérios Públicos Federal e de Alagoas e a Defensoria Pública da União (DPU) ingressaram na Justiça para barrar um novo acordo firmado entre o Governo de Alagoas e a Braskem. O entendimento, assinado em 23 de janeiro, revoga decisão anterior e retira da empresa a responsabilidade de reconstruir o Hospital Escola Portugal Ramalho, mantendo a unidade em funcionamento dentro da área crítica de afundamento do solo em Maceió.

Com 160 leitos, o hospital é o único da rede SUS em Alagoas especializado em psiquiatria e permanece no bairro do Farol, região monitorada pela Defesa Civil desde 2020 por causa dos danos provocados pela mineração de sal-gema. Segundo reportagem do jornalista Carlos Madeiro,do UOL, servidores relatam insegurança contínua para trabalhar no local e afirmam que, nos últimos meses, a possibilidade de realocação deixou de ser discutida.

A reação dos órgãos ocorreu após um acordo global firmado em novembro de 2025, que prevê o pagamento de R$ 1,2 bilhão em indenizações pelos danos ao patrimônio estadual. Desse montante, R$ 110,5 milhões seriam repassados ao Estado para que ele próprio construa um novo hospital. O ponto central da contestação é que o pagamento será parcelado ao longo de até dez anos, sem definição de local nem prazo para entrega da nova unidade.

Segundo a representação, o novo pacto anula um acordo homologado pela Justiça Federal em 2024, no qual a Braskem se comprometia a entregar o hospital reconstruído em até 24 meses. Uma área em Jaraguá chegou a ser indicada para a obra, mas o processo não avançou. Para os órgãos de controle, a mudança representa retrocesso na política de saúde mental, fere a segurança jurídica e transfere ao Estado riscos como atrasos, falhas em licitações e eventuais desvios de recursos.

Diante disso, MPF, MPAL e DPU pedem o bloqueio dos valores destinados ao hospital e a manutenção da obrigação original de a Braskem entregar a unidade totalmente construída e equipada. Procurados, a direção do hospital e a Uncisal não comentaram o acordo; o governo estadual não respondeu até o fechamento. A Braskem afirmou cumprir integralmente as obrigações e destacou o acordo para pagamento da indenização.


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