Meio Ambiente

Alagoas recebe projeto do BNDES para monitoramento e restauração de recifes

Áreas contempladas ficam em Maragogi e Japaratinga na APA Costa dos Corais
Por Agência BNDES 15/02/2026 - 14:57
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MTur
Iniciativa BNDES Azul foi criada para fomentar o uso sustentável dos recursos oceânicos, costeiros e hídricos
Iniciativa BNDES Azul foi criada para fomentar o uso sustentável dos recursos oceânicos, costeiros e hídricos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou nesta sexta-feira (13/02) o contrato do primeiro projeto do BNDES Corais, que inclui Alagoas no mapeamento e monitoramento dos recifes rasos ao longo do litoral brasileiro. Executado pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, o projeto SER Corais terá duração de 36 meses e realizará mergulhos científicos, análise ambiental e produção de mapas técnicos para apoiar políticas públicas de conservação marinha. Ação integra a iniciativa BNDES Azul e conta com R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental.

Em Alagoas, as áreas contempladas ficam em Maragogi e Japaratinga, territórios que integram a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior complexo recifal contínuo do Atlântico Sul. Além do monitoramento, o projeto prevê oficinas técnicas, capacitação e apoio a atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes, contribuindo para proteção costeira, turismo e pesca.

O projeto realizará expedições de campo, coleta e análise de dados ambientais para acompanhar a saúde dos recifes rasos distribuídos ao longo de cerca de 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro. A iniciativa irá monitorar a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies exóticas invasoras, produzir mapas técnicos e relatórios científicos e desenvolver protocolos de restauração recifal.

A atuação do projeto será distribuída entre os estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, além de Alagoas, refletindo a extensão das áreas recifais monitoradas e a relevância ambiental dos territórios.

O projeto apoiará ao menos dez unidades de conservação, prevê avaliar a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias, monitorar 28 espécies e realizar 43 eventos técnicos e oficinas ao longo da execução, contribuindo para ampliar o conhecimento científico sobre os recifes brasileiros e subsidiar políticas públicas de conservação marinha.

A contratação marca o início da execução de uma das operações aprovadas no âmbito do BNDES Corais, considerada a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral. “Os recifes de corais são fundamentais para a biodiversidade marinha, para a proteção da costa e para a atividade pesqueira e turística. Com o projeto SER Corais, estamos fortalecendo a ciência brasileira e apoiando soluções baseadas na natureza, em sintonia com as prioridades do governo Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Ações práticas

Além do monitoramento em larga escala, o projeto prevê ações práticas de restauração ecológica, incluindo experimentos de cultivo de corais in situ (viveiros no mar) e ex situ (em laboratório), testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas. Também será criado um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida (PNADPRR) para espécies invasoras no ambiente marinho, fortalecendo o sistema nacional de monitoramento e resposta a bioinvasões.

“O BNDES Corais foi estruturado para combinar conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social. Este projeto mostra como é possível proteger os recifes e, ao mesmo tempo, fortalecer comunidades costeiras e gerar desenvolvimento sustentável”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

A iniciativa também deve gerar empregos diretos e indiretos ao longo da execução, fortalecer a capacidade técnica de pesquisadores e ampliar a produção de conhecimento aplicado à gestão costeira. O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, orientando medidas de mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Do ponto de vista social, a iniciativa amplia ações de turismo de base comunitária já desenvolvidas pelo Instituto Nautilus. Para uma das fundadoras do Instituto Nautilus Fabiana Felix, a contratação representa a ampliação de uma estratégia já consolidada de monitoramento recifal. “O SER Corais permitirá ampliar o monitoramento já realizado com o projeto Budiões, patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental e focado nos peixes, para os próprios corais e organismos bentônicos, gerando dados estratégicos para políticas públicas e ações de restauração. É um avanço importante para a conservação dos recifes brasileiros”, afirmou.

A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais), além de contribuir diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8, 12, 13 e 14. Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o projeto reforça a atuação do BNDES Azul como instrumento estratégico de proteção dos oceanos e de promoção da economia sustentável no litoral brasileiro.

Sobre o Instituto Nautilus

O Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade é uma organização não governamental sem fins lucrativos, criada em 2006. Tem a missão de atuar na conservação da natureza, com ênfase no ambiente marinho, mediante ações de pesquisa e sensibilização da sociedade, apoiando tecnicamente e cientificamente projetos de pesquisa, educação ambiental e outros que promovam o bem-estar social e a integração do ser humano com o ambiente que o cerca.

Sobre o BNDES Corais

O BNDES Corais é a maior iniciativa já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral. A Chamada apoia ações de monitoramento científico, restauração ecológica, combate a espécies invasoras e promoção de atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes, com foco no aumento da resiliência desses ecossistemas frente às mudanças climáticas e às pressões antrópicas.


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