JUSTIÇA

Acusado de matar dois homens em Coruripe é condenado a 42 anos de prisão

Júri acolheu tese do Ministério Público de Alagoas e fixou regime fechado
Por Assessoria 27/02/2026 - 20:49
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Ricardo Wolffenbüttel / SECOM
Julgamento foi realizado em Maceió após desaforamento do caso
Julgamento foi realizado em Maceió após desaforamento do caso

Quatro anos após o crime, o réu Erlande Coimbra de Barros foi condenado a 42 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo duplo homicídio de Cícero Esperidião da Silva, conhecido como “Cicinho Boca D’Água”, e Benedito Pinheiro da Silva, o “Biu da lanchonete”. O julgamento ocorreu na quinta-feira, 26, e foi encerrado na madrugada de sexta-feira, 27.

Os crimes aconteceram em 13 de abril de 2022, no município de Maribondo. Por causa da comoção gerada na cidade, o júri foi desaforado para Maceió. A sessão começou às 8h e terminou por volta das 2h, sob presidência do juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara da Capital.

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) foi representado pela promotora de Justiça Adilza de Freitas, que sustentou as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.


Segundo a denúncia, a motivação estaria relacionada a uma mágoa antiga atribuída ao réu. Dias antes dos homicídios, ele teria discutido com Cícero Esperidião por causa de um acidente de trânsito envolvendo terceiros.

Durante o julgamento, a defesa voltou a alegar incidente de insanidade mental, sustentando que o réu sofria de transtorno psicológico e que, “no momento dos fatos estava em verdadeiro surto psicótico”. Foram apresentados pareceres de médico e psicólogo. No entanto, laudo de perito oficial, médico psiquiatra forense, concluiu que o réu era imputável.

Com base no laudo técnico, o Ministério Público defendeu que Erlande Coimbra tinha capacidade de entender o caráter ilícito dos atos e de se determinar conforme esse entendimento.

Para o MPAL, os crimes foram premeditados. Benedito Pinheiro da Silva, de 68 anos, foi morto enquanto jantava, na presença da esposa e da neta de 12 anos. Já Cícero Esperidião foi assassinado na calçada de casa, diante da esposa.

Após a condenação, a promotora Adilza de Freitas afirmou que “as provas dos autos exigiam um veredicto condenatório” e que a decisão do Conselho de Sentença representa uma resposta à sociedade.

Os crimes tiveram impacto direto nas famílias das vítimas. Conforme relatado no processo, a neta de Benedito ainda sofre com os traumas, e o filho mais velho de Cícero deixou os estudos para trabalhar e ajudar no sustento da família.


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