JUSTIÇA
Acusado de matar dois homens em Coruripe é condenado a 42 anos de prisão
Júri acolheu tese do Ministério Público de Alagoas e fixou regime fechado
Quatro anos após o crime, o réu Erlande Coimbra de Barros foi condenado a 42 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo duplo homicídio de Cícero Esperidião da Silva, conhecido como “Cicinho Boca D’Água”, e Benedito Pinheiro da Silva, o “Biu da lanchonete”. O julgamento ocorreu na quinta-feira, 26, e foi encerrado na madrugada de sexta-feira, 27.
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) foi representado pela promotora de Justiça Adilza de Freitas, que sustentou as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.
Segundo a denúncia, a motivação estaria relacionada a uma mágoa antiga atribuída ao réu. Dias antes dos homicídios, ele teria discutido com Cícero Esperidião por causa de um acidente de trânsito envolvendo terceiros.
Durante o julgamento, a defesa voltou a alegar incidente de insanidade mental, sustentando que o réu sofria de transtorno psicológico e que, “no momento dos fatos estava em verdadeiro surto psicótico”. Foram apresentados pareceres de médico e psicólogo. No entanto, laudo de perito oficial, médico psiquiatra forense, concluiu que o réu era imputável.
Com base no laudo técnico, o Ministério Público defendeu que Erlande Coimbra tinha capacidade de entender o caráter ilícito dos atos e de se determinar conforme esse entendimento.
Para o MPAL, os crimes foram premeditados. Benedito Pinheiro da Silva, de 68 anos, foi morto enquanto jantava, na presença da esposa e da neta de 12 anos. Já Cícero Esperidião foi assassinado na calçada de casa, diante da esposa.
Após a condenação, a promotora Adilza de Freitas afirmou que “as provas dos autos exigiam um veredicto condenatório” e que a decisão do Conselho de Sentença representa uma resposta à sociedade.
Os crimes tiveram impacto direto nas famílias das vítimas. Conforme relatado no processo, a neta de Benedito ainda sofre com os traumas, e o filho mais velho de Cícero deixou os estudos para trabalhar e ajudar no sustento da família.



