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Conta de luz no Nordeste pode subir 9,77% em 2026, aponta consultoria

Estimativa da Thymos Energia indica maior alta percentual na região
Por Redação 03/03/2026 - 06:14
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Fernando Frazão/Agência Brasil
Tarifas da conta de luz no Nordeste devem subir 9,77% em 2026, estima Thymos Energia
Tarifas da conta de luz no Nordeste devem subir 9,77% em 2026, estima Thymos Energia

A conta de luz no Nordeste deverá registrar aumento médio de 9,77% em 2026, segundo estimativa da Thymos Energia. O percentual representa a maior alta projetada entre as regiões do país e, de acordo com a consultoria, é impulsionado principalmente pela elevação da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e pelo encarecimento da energia adquirida pelas distribuidoras.

O levantamento aponta que, no Sudeste, a variação média prevista é de 5,45%. No Norte, o reajuste estimado é de 4,52%, enquanto o Sul deve registrar alta de 3,61%. Já o Centro-Oeste apresenta projeção praticamente estável, com variação média de 0,08% em relação ao ano anterior. Considerando todas as regiões, a estimativa de reajuste médio nacional é de 7,64%.

A consultoria ressalta que os percentuais refletem médias regionais e podem variar conforme a distribuidora e a área de concessão. Embora os componentes tarifários sejam comuns às concessionárias, os impactos não ocorrem de forma homogênea.

Segundo Ana Paula Ferme, head de Utilities e Regulação Econômica da Thymos, a pressão da CDE varia de acordo com a composição de mercado de cada área de concessão e com o processo de equalização regional entre os blocos Norte/Nordeste e Sul/Sudeste/Centro-Oeste. Ela afirma que as diferenças tarifárias também decorrem do portfólio contratual específico de cada distribuidora, o que influencia o custo médio de compra de energia e o grau de exposição ao mercado de curto prazo.

De acordo com a análise, o aumento do orçamento projetado para a CDE em 2026 está associado à ampliação dos subsídios setoriais. Proposta atualmente em consulta pública na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima despesas de R$ 52,7 bilhões, valor 7% superior ao previsto para 2025. O crescimento é atribuído, sobretudo, à elevação dos descontos tarifários para fontes incentivadas, à expansão da tarifa social e ao avanço da geração distribuída, cujos custos quase dobram no período.

Apesar de reduções em itens historicamente relevantes da conta, a consultoria avalia que o aumento desses subsídios mantém pressão significativa sobre as tarifas de energia elétrica. Outro fator apontado é o encarecimento da energia contratada em leilões e por meio de cotas, além de maior exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Esse ambiente é sensível à alta do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), cuja elevação é esperada para 2026.

A consultoria destaca ainda que o teto do orçamento da CDE, previsto na Lei nº 15.269/2025 — originada da Medida Provisória 1.304 —, passará a valer apenas a partir de 2027. Até lá, o orçamento seguirá sujeito às variações decorrentes da política de subsídios e das condições de mercado.


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