Política
Vereador culpa prefeito por fechamento de maternidades em Arapiraca
Rogério Nezinho denunciou inexistência de unidades de saúde para fazer partos; prefeitura não nega
Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas, não possui maternidades na rede pública nem privada para garantir o nascimento de crianças no município. A última unidade de saúde que fazia partos, o Hospital Chama (Complexo Hospitalar Manoel André), fechou as portas em 2025 para as gestantes, após amargar um débito de R$ 20 milhões ainda não repassados pelo governo do estado e pela falta de credenciamento para atendimentos de alto risco.
Usando a tribuna da Câmara Municipal de Arapiraca, o vereador Rogério Nezinho (MDB), dirigiu críticas ferrenhas ao prefeito Luciano Barbosa (MDB), seu ex-aliado político, e lhe atribuiu responsabilidade pelo fechamento de cinco maternidades no município durante suas gestões no Executivo.
Atualmente, as gestantes de Arapiraca são direcionadas para outras cidades da região na hora do parto, como Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios e Penedo, desde o fechamento da instituição Nossa Senhora de Fátima, em 2022, a mais antiga da cidade e que foi comprada pelo deputado estadual Ricardo Nezinho, irmão do vereador, segundo a prefeitura.
Polêmica
Rogério Nezinho aproveitou uma declaração do prefeito sobre a necessidade de que “crianças nasçam em Arapiraca”, para gerar a polêmica na Câmara. Barbosa citou em evento que “não tem sentido uma pessoa sair de Arapiraca para a mãe ter o seu menino” e que é preciso “reestabelecer [a assistência obstétrica], porque é um serviço público! É o primeiro serviço público! O sujeito ter o direito de nascer.”
Segundo o vereador, o prefeito fala com cinismo, pois foram fechadas nos mandatos de Barbosa o Hospital Pedro Albuquerque, em 2008, a Maternidade Santa Maria, em 2011, e o Hospital e Maternidade Afra Barbosa, em 2021, já na gestão atual. Outro caso citado foi a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima.
Segundo o vereador, a diretora da unidade, Ledinha Fernandes, encaminhou ofício informando que a maternidade encerraria as atividades em setembro daquele ano, alegando falta de apoio da Prefeitura e dificuldades relacionadas ao subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para Rogério Nezinho, a situação é preocupante para uma cidade do porte de Arapiraca. Ele destacou que o município possui mais de 230 mil habitantes e um orçamento superior a R$ 1,4 bilhão, mas atualmente não conta com maternidade em funcionamento.
Prefeitura não nega
Questionada pelo EXTRA, a Prefeitura de Arapiraca não nega o fechamento das unidades e esclarece que o problema da assistência obstétrica no município se arrasta pelo menos há 20 anos. “Todas as maternidades eram particulares. E fecharam”. Segundo a assessoria, a Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca vem tentando, via governos federal e estadual, uma solução tripartite para o problema.
A assessoria de Luciano Barbosa garante que as unidades básicas de saúde de Arapiraca asseguram 100% de cobertura às gestantes pelo SUS, como consultas, exames do pré-natal, doação de enxoval, teste do pezinho para os recém-nascidos e demais serviços da Atenção Primária. Porém, afirma que “cabe agora aos governos estadual e federal” resolver a crise assistencial em relação aos partos.
“Todo mundo aqui está aguardando a retomada da maternidade do Hospital Chama e a conclusão das obras do Hospital Metropolitano do Agreste”, comentou a prefeitura, lembrando que o Ministério Público está envolvido na solução do problema.
Durante o discurso, o vereador também comparou a realidade de Arapiraca com a de cidades menores da região que mantêm atendimento obstétrico, citando municípios como Craíbas, Girau do Ponciano, Traipu, Santana do Ipanema, Batalha, São José da Tapera, Delmiro Gouveia, Palmeira dos Índios, Maravilha e Olivença.



