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Julgamento do Caso Davi acontece dia 13 após mais de uma década de espera
CEDECA convoca sociedade e imprensa para acompanhar júri de um dos casos mais emblemáticos
O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Zumbi dos Palmares (CEDECA/AL) convocou a sociedade alagoana, movimentos sociais, organizações de direitos humanos e a imprensa para acompanhar o julgamento do chamado Caso Davi, marcado para o próximo dia 13, em Maceió.
O júri é considerado um marco na busca por justiça em um dos episódios mais emblemáticos de suposta violação de direitos humanos envolvendo adolescentes no estado. Davi da Silva desapareceu em 25 de agosto de 2014, no bairro Benedito Bentes, após, segundo testemunhas, ser abordado por uma guarnição da Polícia Militar e colocado em uma viatura. Desde então, o adolescente não foi mais localizado.
As investigações apontam indícios de envolvimento de agentes públicos no desaparecimento, com acusações que incluem tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ao longo dos anos, o processo foi marcado por sucessivos adiamentos, recursos e entraves judiciais, apesar da decisão de levar os acusados a júri popular.
A demora no andamento do caso agravou o sofrimento da família. A mãe de Davi morreu após mais de uma década aguardando uma resposta da Justiça, sem ver a responsabilização dos acusados. O caso também registra a morte de uma testemunha-chave meses após o desaparecimento do adolescente.
Para o CEDECA, o julgamento representa mais do que a análise de um crime específico. A entidade avalia que o caso simboliza o enfrentamento ao desaparecimento forçado de adolescentes, à violência institucional e a necessidade de garantir memória, verdade e responsabilização de agentes públicos envolvidos em violações de direitos humanos.
A organização destaca ainda a importância da presença da sociedade civil durante o julgamento, como forma de assegurar transparência, controle social e respeito às garantias fundamentais.
O júri será realizado no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, em Maceió, com sessão aberta ao público. Segundo o CEDECA, a participação popular é essencial para evitar que o caso se some a outros marcados pela impunidade.



