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Dia do Infectologista destaca papel desses profissionais na saúde pública
Secretaria Municipal de Saúde ressalta atuação na prevenção, vigilância e resposta a surtos
A Secretaria de Saúde de Maceió(SMS) destaca, neste 11 de abril, o Dia do Médico Infectologista, a importância desses profissionais na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas, além do papel estratégico que desempenham no controle de surtos e na proteção da saúde coletiva. A data instituída pela Sociedade Brasileira de Infectologia(SBI).
Em Maceió, esses especialistas também exercem papel fundamental no monitoramento de doenças, na análise de dados epidemiológicos e na construção de respostas rápidas e eficazes diante de riscos à saúde pública. Como forma de valorizar e dar visibilidade foi realizada entrevista com Samylla Moura, infectologista da SMS.
Samylla Moura atua no Bloco I do PAM Salgadinho e no Programa IST, HIV/Aids e Hepatites Virais de Maceió.
O que motivou sua escolha pela infectologia? Pode nos contar um pouco sobre sua formação?
Durante a época do internato na faculdade de Medicina, tive muito contato com doenças infecciosas, especialmente no estágio de clínica médica, e uma das preceptoras do serviço era infectologista. Foi quando percebi que poderia trabalhar com o que gosto. Terminei a faculdade e prestei provas de residência em São Paulo porque queria viver a experiência em uma metrópole, com um hospital grande e com muita demanda. Me especializei mais um pouco após a residência, com uma pós-graduação em controle de infecções relacionadas à assistência à saúde, e trabalhei durante alguns meses no estudo brasileiro de PrEP injetável.
Qual foi o momento mais marcante da sua atuação na área?
Sem dúvidas, os dois primeiros anos na residência médica, que coincidiram com o início da pandemia da Covid-19. Nada te prepara para momentos como aqueles.
Como é lidar com doenças que, muitas vezes, afetam populações em situação de vulnerabilidade?
É desafiador todos os dias. Costumo dizer que o trabalho não é só a consulta ou a avaliação, é constante e abrangente, é além da medicina. Muitas vezes questionamos o sentido da vida quando nossos destinos cruzam com histórias difíceis. Mas, outras vezes, nos sentimos sortudos de poder ajudar e trazer esperança e acalento em momentos delicados das vidas dessas pessoas. Ver evoluções positivas na saúde e na qualidade de vida nos dá gás para continuar a jornada.
Por que o trabalho do infectologista é tão estratégico dentro da Vigilância em Saúde?
O infectologista está, muitas vezes, na linha de frente invisível das grandes decisões em saúde pública. Nós conseguimos transformar dados em ação: identificar padrões, perceber sinais precoces de surtos e entender como as doenças se espalham dentro da comunidade. Atuamos em todos os tipos de prevenção.
E, mais do que tratar infecções, ajudamos a antecipar cenários e a orientar respostas rápidas e eficazes. Em um mundo cada vez mais conectado e mais vulnerável a emergências sanitárias, o olhar do infectologista é essencial para proteger coletivamente, reduzir riscos e salvar vidas antes mesmo que o problema ganhe grandes proporções.
Como o infectologista atua no dia a dia da rede municipal de saúde?
Somos um elo entre o cuidado individual e a saúde coletiva. Atendemos pacientes, especialmente nos casos mais complexos, mas o que pouca gente sabe é que também atuamos nos bastidores, apoiando equipes, discutindo condutas e ajudando a qualificar o cuidado em todos os níveis.
Investigamos casos, analisamos dados, construímos protocolos e capacitamos outros profissionais. É um trabalho que mistura ciência, estratégia e sensibilidade — porque, no fim, cada decisão impacta não só um paciente, mas toda uma comunidade.
Quais são os maiores desafios enfrentados pela infectologia no contexto do SUS, especialmente em nível municipal?
Nossos desafios vão além do diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas. Lidamos com a complexidade de casos em um contexto de vulnerabilidade social importante, que acaba influenciando diretamente no adoecimento da população. O acesso, por vezes limitado, à informação, ao saneamento básico e condições precárias de moradia, além de questões como insegurança alimentar, são muitas vezes nosso maior desafio.
Qual a importância da vacinação no controle de doenças infecciosas?
A vacinação é uma das principais e mais importantes estratégias em saúde pública. Protegemos não só o indivíduo, mas a população como um todo. Ela previne formas graves das doenças, reduz internações e controla (até erradica!) muitas infecções. Falar de vacinação é falar de cuidado com o outro, é responsabilidade coletiva.
Que mensagem a senhora deixaria para a população neste Dia do Infectologista?
Mesmo com essas dificuldades, a infectologia no SUS mostra, todos os dias, a sua força. É uma área que exige resiliência, pensamento estratégico e, acima de tudo, compromisso com a saúde coletiva. Porque, no fim, cuidar de doenças infecciosas é também cuidar das condições de vida das pessoas — e isso transforma realidades.
Qual a importância de valorizar os profissionais que atuam na linha de frente da Vigilância em Saúde?
Valorizar os profissionais da Vigilância em Saúde é reconhecer quem atua, muitas vezes, longe dos holofotes, nos bastidores e antes que os problemas se tornem visíveis. São eles que monitoram riscos, investigam casos e ajudam a proteger a população.
Isso envolve oferecer boas condições de trabalho e suporte. Porque, ao fortalecer quem está na linha de frente, fortalecemos toda a resposta em saúde e cuidamos melhor da sociedade como um todo.



