lesão medular
Alagoano é incluído em tratamento experimental com a polilaminina
Paciente foi incluído em protocolo autorizado pela Anvisa para aplicação
Uma pergunta feita dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) abriu caminho para que o alagoano Natalício Jordan Correia de Barros, 32 anos, participasse de um estudo experimental com a polilaminina, substância desenvolvida para estimular a regeneração de conexões nervosas em pacientes com lesão medular.
Após sofrer um trauma que resultou em uma lesão medular completa, Natalício não tinha alternativas terapêuticas capazes de reverter o quadro. Foi então que sua esposa, Vanessa Leodino, procurou a médica intensivista Morghana Ferreira para saber se havia a possibilidade de o marido receber a polilaminina.
“A Vanessa trouxe esse questionamento para mim dentro da UTI. Fui buscar informações sobre o protocolo e percebi que ele poderia se encaixar nos critérios exigidos”, relata a médica.
A partir daí, teve início o processo para inclusão do paciente no protocolo de uso compassivo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a substância pode ser aplicada apenas em pacientes com lesões medulares agudas ou subagudas, entre 24 horas e 90 dias após o trauma.
Desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália, a polilaminina é resultado de mais de duas décadas de pesquisas. A aplicação é feita diretamente na medula espinhal, em dose única.

O procedimento em Natalício foi realizado no dia 31 de maio por uma equipe especializada vinda do Rio de Janeiro. A medicação foi fornecida sem custos para o paciente, que agora será acompanhado pelos próximos 12 meses.
Morgana Ferreira destaca que a polilaminina ainda está em fase inicial de estudos clínicos e que os resultados precisam ser avaliados com cautela. “Não estamos falando de cura. Trata-se de uma pesquisa que pode representar uma nova possibilidade para pacientes que não tinham opções de tratamento, mas os resultados ainda estão sendo estudados”, afirma.
A médica também esclareceu que o anestesiologista Pedro Ferro participou do procedimento realizando a sedação necessária para a aplicação da medicação. Segundo ela, a inclusão do paciente no estudo e toda a articulação com a equipe de pesquisadores foram conduzidas diretamente por ela junto aos responsáveis pelo projeto.
Hoje, Natalício está em casa e segue em acompanhamento médico, enquanto os pesquisadores monitoram os resultados da aplicação.



