LEVANTAMENTO

Um em cada três trabalhadores de Alagoas está na escala 6x1

Estado tem média semanal de 37,4 horas e informalidade acima do país
Por Adja Alvorável 31/05/2026 - 06:00
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Marcello Casal jr/Agência Brasil
Debate sobre o fim da escala 6x1 avança no Congresso e impacta trabalhadores em Alagoas
Debate sobre o fim da escala 6x1 avança no Congresso e impacta trabalhadores em Alagoas

A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou força no país após a aprovação, na Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado por semana. Em Alagoas, os números mostram que uma parcela significativa dos trabalhadores ainda está submetida ao modelo com apenas uma folga semanal.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que 134.920 trabalhadores alagoanos seriam diretamente beneficiados com o fim da escala 6x1. O número representa 32,9% das pessoas ocupadas identificadas no estado, o que equivale a 1 a cada 3 trabalhadores. Atualmente, 275.207 trabalhadores em Alagoas já atuam em escala 5x2, equivalente a 67,1% do total.

Os indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, também mostram um cenário de longas jornadas e forte informalidade no mercado de trabalho alagoano.

No primeiro trimestre de 2026, a média de horas habitualmente trabalhadas por semana em Alagoas foi de 37,4 horas. Entre os homens alagoanos, a média chegou a 39,1 horas semanais, enquanto entre as mulheres ficou em 35,1 horas. Essa média não reflete integralmente a realidade de categorias submetidas a jornadas mais extensas, especialmente em setores como comércio, serviços e segurança privada, tradicionalmente associados à escala 6x1.

Os dados da Pnad também mostram que a taxa de informalidade em Alagoas permanece elevada. No primeiro trimestre de 2026, 42,6% dos trabalhadores do estado estavam na informalidade, percentual superior ao registrado no Brasil, de 37,3%.

A PEC aprovada na Câmara prevê uma implementação gradual das mudanças. Caso o texto seja aprovado também pelo Senado, a redução da jornada começará 60 dias após a promulgação. Na primeira etapa, a carga horária semanal cairá de 44 para 42 horas. Após 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas semanais. A PEC foi aprovada com apoio de toda a bancada federal de Alagoas.

O texto mantém os salários dos trabalhadores e determina dois dias de descanso remunerado por semana, com uma das folgas ocorrendo preferencialmente aos domingos. A proposta também permite ajustes por meio de acordos coletivos entre sindicatos e empregadores.

Enquanto parlamentares favoráveis defendem que a medida pode melhorar a qualidade de vida e reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores, representantes do setor empresarial afirmam que a redução da jornada pode elevar custos e impactar preços de produtos e serviços.


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