Crime ambiental

Braskem: Justiça Federal recebe denúncia e abre nova fase da ação penal

Acusações envolvem ex-gestores que atuaram em áreas ligadas à mineração e ao licenciamento ambiental
Por Redação com Ascom JFAL 15/06/2026 - 12:42
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Divulgação
Sinais da tragédia ambiental que destruiu cinco bairros em Maceió em decorrência da mineração da Brasken
Sinais da tragédia ambiental que destruiu cinco bairros em Maceió em decorrência da mineração da Brasken

A Justiça Federal em Alagoas (JFAL) dá um passo relevante na apuração das responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió. Decisão proferida pelo juiz federal substituto da 1ª Vara Federal, na última sexta-feira, 12, determinou o prosseguimento parcial da ação penal movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a empresa Braskem e diversos ex-dirigentes e técnicos ligados à atividade minerária desenvolvida na capital alagoana.

Ao analisar o caso, o juízo federal destaca que a denúncia atende aos requisitos legais e apresenta exposição detalhada dos fatos e das condutas atribuídas a cada acusado, respaldada por robusto conjunto de provas técnicas e documentais. “A inicial do processo traz exposição detalhada e organizada quanto aos fatos criminosos, narrando seu contexto geral ao longo dos anos, mas também indicando a possível atuação de cada um dos acusados, como teriam supostamente agido ou se omitido para consecução dos tipos penais imputados, bem como descrevendo o elemento subjetivo das infrações”, pontua o magistrado no processo, ao justificar o recebimento da denúncia.

O processo trata dos impactos provocados pela atividade minerária nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, em Maceió, nos quais foram registrados afundamento do solo, fissuras em imóveis, tremores de terra e formação de crateras. As investigações apontam que a extração de sal-gema contribuiu para a instabilidade geológica da região, provocando danos de grande magnitude que atingiram milhares de moradores e resultaram na desocupação de áreas urbanas inteiras, além de prejuízos a estruturas públicas e privadas.

Crimes

Entre os crimes apontados pelo MPF estão poluição ambiental qualificada, elaboração e apresentação de estudos ambientais supostamente falsos ou enganosos, extração irregular de recursos minerais e dano qualificado ao patrimônio. As acusações envolvem a empresa e diversos ex-gestores que atuaram em áreas ligadas à mineração e ao licenciamento ambiental.

Além do recebimento da denúncia, o juízo federal também adota medidas para garantir o andamento célere e efetivo do processo. Entre outras medidas, foram determinadas a citação dos réus para apresentação de defesa, a designação de audiência para análise de propostas de suspensão condicional do processo em casos específicos e o deferimento de pedido do MPF para que a Polícia Federal dê prosseguimento às investigações complementares.

Ao mesmo tempo, o juiz reconheceu a ocorrência de prescrição em relação a parte das condutas mais antigas, declarando extinta a punibilidade em casos específicos, conforme previsto na legislação penal. Apesar disso, a Justiça Federal assegura o prosseguimento da ação quanto às infrações remanescentes, garantindo a continuidade da apuração e a busca por responsabilização.

Com o recebimento da denúncia, os acusados serão citados para apresentar resposta à acusação, com posterior instrução processual, quando serão produzidas provas antes do julgamento do mérito da ação penal.


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