tragédia em vinhedo
Relatório conclui que avião pilotado por alagoano não deveria ter decolado
Aeronave da Voepass operava com sistema de proteção contra gelo inoperante
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, não deveria ter sido autorizado a decolar nas condições em que operava. O voo era comandado pelo piloto alagoano Danilo Santos Romano, de 35 anos, e o acidente deixou 62 mortos, entre 58 passageiros e quatro tripulantes.
Segundo a investigação, a aeronave ATR-72, de matrícula PS-VPB, decolou com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave, inoperante. De acordo com os investigadores, diante da previsão de formação de gelo ao longo da rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), a operação não atendia aos requisitos regulamentares de segurança e, por isso, o voo não deveria ter sido despachado.
O relatório conclui que, durante o voo de cruzeiro, a aeronave encontrou condições severas para formação de gelo. O acúmulo comprometeu o desempenho do avião, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e, posteriormente, a queda sobre uma área residencial de Vinhedo.
Além da falha no despacho da aeronave, o Cenipa identificou erros da tripulação. Conforme o documento, os pilotos demoraram a reconhecer a degradação do desempenho causada pelo gelo e não executaram em tempo hábil os procedimentos recomendados pelo fabricante para abandonar a área de formação severa de gelo e manter a velocidade mínima de segurança. Apesar disso, a investigação ressalta que ambos estavam devidamente habilitados e haviam recebido treinamento específico para esse tipo de operação.
A comissão também apontou problemas na cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos da aeronave revelou registros anteriores de degradação de desempenho, falhas recorrentes no sistema de degelo, reinicializações sucessivas do Airframe De-Icing e alertas que, segundo o relatório, nem sempre recebiam o tratamento adequado pelas tripulações.
Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que fará uma análise técnica das conclusões e das recomendações encaminhadas pelo Cenipa. O órgão destacou que as investigações têm caráter preventivo e não buscam atribuir culpa ou responsabilização, mas identificar fatores contribuintes e aperfeiçoar a segurança da aviação civil.
Também por meio de nota, a Voepass afirmou que colaborou de forma transparente com as investigações e manifestou solidariedade às famílias das vítimas. A empresa destacou que, em mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, nunca havia enfrentado um acidente dessa magnitude e afirmou que sempre adotou procedimentos voltados à segurança operacional e à capacitação de suas equipes.



