Banco Master

Iprev aplicou R$ 80 mi antes de instituição entrar em lista de habilitados

Instituto maceioense afirma que segue colaborando com as apurações
Bianca Amancio
Polícia Federal realiza operação no Iprev
Polícia Federal realiza operação no Iprev

A investigação da Polícia Federal sobre as aplicações do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master ganhou um novo elemento: o primeiro e maior aporte realizado pelo instituto, no valor de R$ 80 milhões, teria ocorrido em um momento em que a instituição financeira ainda não constava na lista oficial de entidades consideradas aptas a receber recursos de regimes próprios de previdência.

As informações são do Estadão. Segundo a Operação Compliance 82, deflagrada pela Polícia Federal na segunda-feira, 10, o investimento realizado em 6 de dezembro de 2023 aconteceu antes da inclusão do Banco Master na chamada “lista exaustiva” de instituições elegíveis do Ministério da Previdência Social.

A relação funciona como um mecanismo de controle para aplicações feitas por fundos previdenciários públicos, estabelecendo quais instituições financeiras podem receber recursos dentro dos critérios de segurança e governança exigidos para proteger o patrimônio dos servidores.

De acordo com a investigação, a ausência do banco na lista oficial no momento do aporte é um dos elementos que levaram a Polícia Federal a aprofundar a apuração sobre o processo de decisão que autorizou os investimentos. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas solicitadas pela PF, aponta a necessidade de esclarecer se houve tentativa de conferir regularidade posterior às operações e quem tinha conhecimento das limitações existentes no momento da aplicação.

Ao todo, o Iprrev realizou dois investimentos em Letras Financeiras subordinadas do Banco Master, totalizando R$ 97 milhões. O primeiro aporte foi de R$ 80 milhões, em dezembro de 2023, e o segundo, de R$ 17 milhões, realizado em maio de 2024. A investigação também apura outros pontos relacionados à governança do instituto, como a compatibilidade dos investimentos com a Política Anual de Investimentos do IPREV. Segundo a PF, o órgão teria concentrado aproximadamente 20% do patrimônio em ativos do Banco Master, enquanto as regras internas indicavam limites inferiores para esse tipo de aplicação.

Além disso, os investigadores analisam a atuação do ex-diretor-presidente do Iprev, Ronnie Reyner Teixeira Mota, responsável pelas autorizações dos investimentos. Conforme a Polícia Federal, foram identificadas movimentações em espécie e aquisições patrimoniais consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelo ex-gestor após os aportes realizados no banco.

O Maceió Previdência afirmou que está colaborando com as investigações, prestando esclarecimentos e fornecendo informações solicitadas pelas autoridades. A apuração conduzida pela Polícia Federal investiga, em tese, possíveis crimes de gestão fraudulenta, desvio de verbas públicas, lavagem de capitais e organização criminosa relacionados às aplicações realizadas pelo instituto. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal.

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