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Vale-refeição em Alagoas cobre só 8 dias úteis de alimento pro trabalhador
Poder de compra do benefício no estado fica abaixo da média nacional
O vale-refeição do trabalhador brasileiro vem perdendo poder de compra nos últimos anos. O benefício que a empresa paga em forma de saldo para o funcionário comprar refeições prontas como almoço ou lanche durante o horário de trabalho, só cobriu, em média 10 dias úteis por mês em 2025, o mesmo patamar registrado no anto anterior. Em Alagoas, o benefício só consegue cobrir a refeição do trabalhador por oito dias úteis, um dos menores períodos.
A informação é do levantamento realizado pela Pluxee, empresa global especializada em benefícios e engajamento de colaboradores. No ranking dos estados onde o vale-refeição dura menos o primeiro lugar é Roraima, cujo benefício paga apenas sete dias. O poder de comprado vale-refeição é maior em Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro (Sudeste), com 13 dias úteis.
O resultado pode estar relacionado a valores médios mais ajustados à realidade local, além de menores custos por refeição e, em alguns casos, mudanças nos hábitos alimentares dos trabalhadores.
A série histórica mostra queda contínua do valor de compra do benefício: a duração média caiu de 18 dias úteis em 2019 para 10 dias em 2024–2025, evidenciando perda estrutural de valor.
A análise regional também indica diferenças na efetividade do benefício: enquanto o "Sudeste apresenta a melhor cobertura dos dias úteis trabalhados, o Norte concentra os menores prazos médios e os maiores gaps de utilização, sinalizando desafios estruturais e possíveis situações de vulnerabilidade alimentar". Atualmente, nenhuma unidade da federação supera 80% de cobertura do vale-refeição.
O levantamento também aponta que o valor mensal médio pago pelas empresas em vale-refeição no período foi de R$ 649,00. Para lidar com a limitação do benefício, muitos trabalhadores continuam adaptando seus hábitos de consumo: entre os usuários da Pluxee, o gasto médio por transação chegou a R$ 42,81, alta de 4,0% em relação a 2024 (R$ 41,16).
Com isso, o desembolso mensal médio chegou a R$ 568,52 em 2025, ante R$ 562,35 no ano anterior, indicando um esforço consciente para fazer o saldo render — seja reduzindo a frequência das refeições fora de casa, seja optando por opções mais acessíveis.
Além disso, o estudo mostra dados de comportamento significativos: cerca de 49% dos usuários utilizaram o benefício em apenas três estabelecimentos ao longo do mês, e 24% concentraram seu uso em até seis locais, comportamento que reforça o controle de gastos, fidelidade ou praticidade.
No ambiente digital, as compras online registraram tíquete médio de R$ 62,40, acima das transações presenciais (R$ 41,24). Ainda com essa diferença nos gastos, o tempo médio de duração do vale-refeição permanece o mesmo, indicando que o canal de compra ainda não influencia diretamente a efetividade do benefício.
“Os dados reforçam a necessidade de que as empresas estejam atentas ao cenário econômico, aos hábitos de consumo e às novas expectativas dos profissionais para oferecer benefícios alinhados à realidade atual e capazes de fortalecer vínculos mais sustentáveis e duradouros”, afirma Antônio Alberto Aguiar (Tombé), Diretor Executivo de Estabelecimentos da Pluxee.



