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Desembargador apaga post com saldo de R$ 96 após repercussão nacional

Márcio Roberto havia divulgado extrato bancário ao defender remuneração de magistrados
Assessoria
O desembargador Márcio Roberto Tenório
O desembargador Márcio Roberto Tenório

Após a repercussão nas redes sociais e em veículos de comunicação de alcance nacional, o desembargador Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), apagou de seu perfil no Instagram a publicação em que exibia um extrato bancário e afirmava ter chegado ao fim do mês com saldo de R$ 96,10.

A postagem havia sido feita no último dia 19 de agosto e ganhou repercussão após o magistrado utilizar a própria situação financeira para defender a remuneração recebida por integrantes do Judiciário e rebater críticas relacionadas aos vencimentos da categoria. Apesar da exclusão, imagens da publicação já haviam sido capturadas e continuaram circulando na internet.

No extrato divulgado pelo próprio desembargador, a conta-salário mantida no BRB apresentava saldo negativo de R$ 161,83 na conta corrente e R$ 257,93 disponíveis em aplicações. Ao considerar os dois valores, Márcio Roberto afirmou que dispunha de R$ 96,10 na véspera do pagamento do salário.

“Cheguei ao fim do mês ‘de boa’, ou seja, com um saldo positivo de R$ 96,10”, escreveu o magistrado na publicação posteriormente excluída. Dados do Portal da Transparência do TJAL apontam que Márcio Roberto recebeu, entre janeiro e julho deste ano, média líquida mensal de R$ 65.311,38. Em agosto, o pagamento líquido registrado foi de R$ 70.082,99, o maior recebido pelo desembargador no ano até então.

Os valores líquidos registrados no período superaram o teto constitucional de R$ 46.366,19. A comparação, contudo, não significa necessariamente pagamento irregular, uma vez que determinadas verbas de caráter indenizatório ou previstas em regimes específicos podem não estar submetidas ao teto remuneratório.

Na publicação, Márcio Roberto afirmou que seus rendimentos seriam resultado de “muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra” e criticou a maneira como parte da imprensa aborda os vencimentos dos magistrados, classificando as críticas como “maliciosas e inconsistentes”. O desembargador também tratou dos chamados “penduricalhos”, expressão utilizada para benefícios e verbas adicionais pagos a integrantes do serviço público. Segundo ele, esses pagamentos não fizeram parte de sua realidade financeira.


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