Justiça
TJAL julga recurso de PMs condenados a mais de 100 anos no Caso Davi
Defesas tentam mudar decisão que condenou policiais pela morte e desaparecimento do adolescente
O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) julga nesta quarta-feira, 2, os recursos apresentados pelas defesas dos quatro policiais militares condenados pela morte e desaparecimento de Davi da Silva, de 17 anos. O julgamento estava inicialmente marcado para 26 de agosto, mas foi adiado.
Os militares foram condenados pelo Tribunal do Júri em maio de 2026. Juntas, as penas chegam a 100 anos, 2 meses e 23 dias de prisão, todas em regime fechado. Agora, as defesas tentam modificar a decisão tomada pelos jurados.
Davi desapareceu em 25 de agosto de 2014, após ser abordado e colocado em uma viatura da Rádio Patrulha, no Benedito Bentes, em Maceió. Desde então, o adolescente não foi mais localizado e seu corpo nunca foi encontrado.
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) é contrário aos recursos e defende que sejam mantidas tanto as condenações quanto as penas. Para o órgão, as provas reunidas ao longo do processo sustentam a decisão tomada pelo Tribunal do Júri.
Entre os elementos apresentados pela acusação estão registros de telefonia, o reconhecimento dos policiais por uma testemunha que estava com Davi no momento da abordagem e relatos de pessoas que teriam presenciado a ação.
Segundo a acusação, Davi foi abordado entre 8h e 9h, no Conjunto Cidade Sorriso I. Dados de telefonia indicariam que a guarnição estava no Jacintinho às 7h34 e que, às 8h01, um aparelho utilizado por integrantes da equipe se conectou a uma antena localizada no Loteamento Jardim Paulo VI, na Cidade Universitária.
Para o Ministério Público, a área atendida pela antena alcançava a principal via de acesso ao Benedito Bentes e à Cidade Sorriso, nas proximidades de onde teria ocorrido a abordagem. O órgão sustenta que esses dados entram em conflito com a versão dos policiais de que a equipe teria chegado à região somente por volta das 9h.
Outro ponto destacado pela acusação é o depoimento de Raniel Oliveira Silva, que estava com Davi e foi liberado durante a abordagem. Segundo o MPAL, ele reconheceu os quatro policiais e indicou a participação de cada um.
Testemunhas também afirmaram que Davi foi colocado em uma viatura identificada como sendo da Rádio Patrulha. Entre as características mencionadas estava a imagem de um pit bull no veículo. O então comandante do batalhão confirmou que as viaturas da unidade utilizavam esse símbolo na época.
Os quatro policiais receberam penas diferentes. Eudecir Gomes de Lima foi condenado a 28 anos, 1 mês e 3 dias; Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, a 24 anos, 4 meses e 13 dias; Nayara Silva de Andrade, a 24 anos, 4 meses e 13 dias; e Victor Rafael Martins da Silva, a 23 anos, 4 meses e 24 dias.
As defesas questionam a interpretação e a apresentação das provas utilizadas no processo. Já o Ministério Público sustenta que o julgamento foi conduzido de maneira adequada e pede que o resultado seja mantido.



