meio ambiente

MPF arquiva investigação ambiental após empresa assumir antigo lixão

Orizon ficará responsável pela área de Cruz das Almas até 2054
Ascom Alurb
Área do antigo lixão
Área do antigo lixão

O Ministério Público Federal (MPF) decidiu encerrar uma investigação sobre os problemas ambientais deixados pelo antigo Lixão de Cruz das Almas, em Maceió. O local, que recebeu lixo durante anos, chegou a apresentar resíduos espalhados pelo solo e vazamento de chorume, líquido escuro produzido pela decomposição do lixo. A decisão foi publicada no Diário do Ministério Público Federal desta sexta-feira, 4 de setembro. A investigação estava aberta desde 2021.

Embora o lixão tenha sido desativado em 2010, os problemas continuaram nos anos seguintes. Segundo o MPF, houve abandono e falta de manutenção da área, situação que levou o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) a aplicar autuações em 2017 e 2021. A recuperação do local, no entanto, é uma discussão bem mais antiga. Em 2005, após uma ação do MPF, foi firmado um acordo para fechar o lixão e recuperar a área degradada. Quatro anos depois, a Prefeitura de Maceió contratou uma empresa para cuidar do local.

Mesmo assim, os problemas ambientais persistiram. Por isso, em 2025, o MPF recomendou que a Prefeitura assumisse a administração do antigo lixão e realizasse uma nova contratação para garantir a conservação da área. A Prefeitura aceitou a recomendação, mas encontrou outra solução. O Município prorrogou o contrato com a Orizon, empresa que já atua na área. Pelo acordo, a Orizon ficará responsável por cuidar do antigo lixão até 2054, incluindo a manutenção do terreno, o controle de possíveis emissões e o tratamento do chorume. O cumprimento dessas obrigações deverá ser acompanhado de forma independente.

Para o MPF, a medida diminui o risco de que a área volte a ser abandonada e sofra novos danos ambientais. Esse foi um dos principais motivos para o encerramento da investigação. Outro ponto analisado foi uma possível contaminação do mar da Praia de Cruz das Almas pelo chorume do antigo lixão. Uma perícia do próprio MPF chegou a sugerir que essa questão continuasse sendo investigada por causa do possível risco à vida marinha. Apesar disso, o órgão concluiu que não existem exames capazes de comprovar que o chorume do antigo lixão tenha efetivamente contaminado a água do mar. Não foram encontrados no processo testes laboratoriais ou estudos específicos que confirmassem essa ligação.

Por isso, o MPF considerou que não havia elementos suficientes para manter a investigação aberta por esse motivo. O arquivamento não impede que o caso volte a ser analisado no futuro caso surjam novos problemas ou provas. O MPF também poderá acompanhar o cumprimento das obrigações relacionadas à recuperação ambiental da área. A decisão de encerrar a investigação foi tomada por unanimidade. O procedimento tramita sob o número 1.11.000.000287/2021-71.


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