ELEIÇÕES

Pesquisa aponta que maioria dos casais já divergiu na escolha eleitoral

Divergência política também influencia relacionamentos às vésperas do período eleitoral
TRE
Urnas eletrônicas
Urnas eletrônicas

A proximidade das eleições de 2026 tem levado discussões políticas também para dentro dos relacionamentos. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pesquisa da Hibou Pesquisas e Insights, realizada entre 1º e 4 de setembro com 1.449 eleitores brasileiros maiores de 18 anos, aponta que 67% já votaram em um candidato diferente daquele escolhido pelo parceiro ou parceira. O levantamento também mostra que 85% defendem que o voto deve ser uma decisão individual, mesmo quando há divergência entre o casal.

Outro levantamento, realizado pelo Datafolha nos dias 22 e 23 de julho, reforça a autonomia na escolha eleitoral. Entre pessoas que mantêm relacionamento estável, 60% disseram que a opinião do companheiro ou companheira não teria nenhuma influência no voto para presidente. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios.

As diferenças políticas, no entanto, também aparecem como critério na formação de novos relacionamentos. Pesquisa sobre tendências entre solteiros, divulgada pela CNN Brasil, mostrou que 41% não namorariam alguém com opiniões políticas opostas, enquanto 46% disseram que ainda considerariam essa possibilidade. Entre as mulheres, 35% demonstraram abertura para esse tipo de relacionamento, contra 60% dos homens.

Para Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e porta-voz do MeuPatrocínio, a divergência eleitoral não significa necessariamente incompatibilidade. Segundo ele, duas pessoas podem votar em candidatos diferentes e manter posições semelhantes sobre questões que interferem diretamente no relacionamento.

O especialista avalia que o conflito tende a aumentar quando a discussão política envolve valores considerados essenciais por uma das partes. Nesse caso, a divergência deixa de estar restrita à escolha de candidatos e passa a envolver temas relacionados à família, direitos, comportamento e projetos de vida.

Com a aproximação da votação, assuntos políticos também podem surgir mais cedo entre pessoas que estão iniciando um relacionamento. Para Bittencourt, conversar sobre posições consideradas importantes pode ajudar a identificar diferenças, sem que o encontro precise se transformar em um debate eleitoral.

Os levantamentos indicam, portanto, dois movimentos: embora a maioria defenda autonomia para votar independentemente da escolha do parceiro, posições políticas também podem pesar na avaliação de compatibilidade, principalmente entre pessoas que ainda estão iniciando um relacionamento.


Encontrou algum erro? Entre em contato