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Justiça mantém preso ‘Talismã’, apontado como líder de facção em Alagoas

Ramon Vasconcelos é citado como responsável pelo controle territorial do grupo criminoso
Reprodução
Ramon Vasconcelos Oliveira, o Talismã
Ramon Vasconcelos Oliveira, o Talismã

A 17ª Vara Criminal da Capital negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa de Ramon Vasconcelos Oliveira, conhecido como “Talismã”, acusado em uma ação penal que investiga a atuação de uma organização criminosa, o Comando Vermelho, em Alagoas. A defesa queria que Ramon recebesse o mesmo benefício concedido pelo Tribunal de Justiça de Alagoas ao também réu Patrick de Almeida Silva, o PTK, que teve a prisão preventiva substituída por outras medidas cautelares.

O pedido, no entanto, foi rejeitado. Na decisão disponibilizada nesta quarta-feira, 23, os juízes afirmaram que as situações dos dois acusados são diferentes e acompanharam manifestação do Ministério Público, que também havia se posicionado contra a soltura.

Segundo a decisão, a liberdade concedida a Patrick levou em consideração, entre outros pontos, o entendimento de que ele teria uma participação de menor relevância dentro do grupo investigado. O processo menciona um diálogo de janeiro de 2024 no qual Patrick teria sido convidado por um integrante da organização criminosa a disputar uma vaga de vereador naquele ano, convite que, segundo os autos, teria sido recusado.

No caso de Ramon, a Justiça entendeu que as acusações são mais graves. Conforme a denúncia citada na decisão, ele seria responsável pela expansão e pelo controle territorial da facção em áreas de Maceió e do Litoral Norte de Alagoas, além de atuar na gerência do grupo juntamente com Kleber Santos da Silva, conhecido como “Klebinho”.

A decisão também cita investigações segundo as quais Ramon e Kleber teriam imposto o domínio do grupo por meio de extrema violência. Entre as suspeitas relatadas nos autos estão a realização de “tribunais do crime”, com torturas, esquartejamentos, ocultação de cadáveres e execuções de rivais ou pessoas consideradas devedoras. As informações fazem parte das acusações e investigações e ainda são objeto do processo criminal.

Outro ponto mencionado pela Justiça é uma suposta participação dos dois no planejamento e na execução de uma tentativa de assalto a uma joalheria em 2024, na qual os envolvidos teriam utilizado uniformes táticos semelhantes aos usados por forças policiais. Os juízes também afirmaram que Ramon aparece como acusado em outros processos criminais consultados no sistema da Justiça. Para a 17ª Vara, esse histórico reforça, neste momento, a necessidade de manutenção da prisão preventiva diante do que considera risco de novos crimes.

Com isso, o pedido da defesa para substituir a prisão por medidas como monitoramento ou outras restrições foi negado. A Justiça também decidiu manter as prisões de José Emerson da Silva e Fabrício Barbosa dos Santos, afirmando que não houve mudança relevante nas circunstâncias analisadas anteriormente.

No mesmo despacho, a 17ª Vara determinou que seja identificado o local onde Ramon está preso para que ele seja citado pessoalmente no processo. Kleber Santos Silva e Carla Danyele Cadete Gonzaga deverão ser citados por edital.

Entenda o caso

Ramon Vasconcelos Oliveira, o “Talismã”, foi preso em 3 de junho de 2026, em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, durante uma operação conjunta das forças de segurança. Segundo a Polícia Civil, ele era investigado como uma das lideranças do tráfico de drogas em regiões de Alagoas e por possível participação na expansão territorial de uma facção criminosa.

A prisão ocorreu durante a Operação Morro do Alemão, deflagrada contra integrantes apontados pelas autoridades como ligados ao Comando Vermelho. A operação previa o cumprimento de 51 medidas judiciais, entre mandados de prisão, buscas e outras cautelares, em Alagoas e no Rio de Janeiro. Nove pessoas foram presas durante a ação inicial.

Entre os alvos também estava Patrick de Almeida Silva, o PTK. Segundo as investigações divulgadas pela polícia, ele teria sido cogitado por integrantes da facção para disputar uma vaga na Câmara Municipal de Maceió nas eleições de 2024.

Patrick permaneceu preso após a operação, mas, em agosto, o Tribunal de Justiça de Alagoas concedeu habeas corpus e substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico. Foi justamente essa decisão que a defesa de Ramon tentou utilizar para pedir tratamento semelhante, argumento agora rejeitado pela 17ª Vara Criminal.

Em setembro, a Justiça recebeu denúncia contra Ramon, Patrick, José Emerson da Silva, Fabrício Barbosa dos Santos, Kleber Santos da Silva e outros acusados, que passaram à condição de réus em processo relacionado à suposta atuação de uma organização criminosa armada. As acusações ainda serão analisadas no decorrer da ação penal, e a condição de réu não representa condenação.


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