relações internacionais

Paraguai exige explicações do Brasil sobre suposta espionagem hacker

Polícia Federal investiga o caso no âmbito do inquérito da chamada "Abin Paralela"
Por Redação 01/04/2025 - 21:42
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Reprodução/TV Globo
Paraguai cobra explicações do Brasil sobre suposta espionagem de autoridades brasileiras
Paraguai cobra explicações do Brasil sobre suposta espionagem de autoridades brasileiras

O governo do Paraguai está cobrando esclarecimentos do Brasil sobre uma possível espionagem conduzida por órgãos de inteligência brasileiros. A Polícia Federal investiga o caso no âmbito do inquérito da chamada "Abin Paralela".

O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou que o embaixador brasileiro no país, José Antonio Marcondes, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre a suposta invasão hacker de sistemas paraguaios por agentes da inteligência brasileira. Além disso, o Paraguai chamou de volta seu embaixador no Brasil, Juan Angel Delgadillo, para tratar do assunto.

De acordo com informações divulgadas pelo portal UOL e confirmadas pela TV Globo, um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) detalhou em depoimento à Polícia Federal, no final de 2024, como o órgão teria acessado sistemas da Presidência e do Congresso do Paraguai. As invasões também teriam visado autoridades envolvidas nas negociações do tratado da usina de Itaipu, empreendimento binacional cujas condições de comercialização de energia estão sendo revisadas pelos dois países.


Segundo esse funcionário, a espionagem teria começado no último ano do governo Bolsonaro e continuado na gestão de Lula, supostamente com autorização expressa do atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa. O objetivo seria obter informações sigilosas para favorecer o Brasil nas negociações relacionadas à usina de Itaipu.

Na segunda-feira (31), o governo paraguaio declarou não possuir evidências de ataques cibernéticos vindos do Brasil. No entanto, o Itamaraty confirmou a existência da operação, informando que ela foi autorizada em junho de 2022, durante o governo anterior, e posteriormente cancelada pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, assim que a atual gestão tomou conhecimento do caso.

Após essa confirmação por parte do Brasil, o governo do Paraguai decidiu reagir de forma mais contundente, convocando os embaixadores e suspendendo a negociação da parte financeira do acordo de Itaipu, que vinha sendo discutida há um ano. Havia a expectativa de que um desfecho fosse alcançado em maio.

O Itamaraty não se pronunciou sobre a decisão do Paraguai. Fontes ouvidas pelo Jornal Nacional afirmaram que o governo brasileiro considera essa movimentação diplomática como um procedimento natural diante da gravidade das alegações.

O Jornal Nacional também tentou contato com a assessoria da Abin e com o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa, mas não obteve retorno.

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