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Cuidados paliativos podem ampliar sobrevida de pacientes oncológicos

Abordagem recomendada desde o diagnóstico tem sido associada a melhor controle de sintomas
Por Redação 08/01/2026 - 08:01
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Assessoria
Estudo publicado no JAMA aponta sobrevida superior a dois anos em pacientes que receberam esses cuidados, em comparação àqueles não beneficiados com essa prática.
Estudo publicado no JAMA aponta sobrevida superior a dois anos em pacientes que receberam esses cuidados, em comparação àqueles não beneficiados com essa prática.

A adoção precoce dos cuidados paliativos no tratamento de pacientes com câncer tem sido associada não apenas à melhora da qualidade de vida, mas também ao aumento da sobrevida, segundo evidências científicas recentes. A prática, recomendada desde o diagnóstico de doenças graves, busca oferecer assistência integral ao paciente e aos familiares, com foco no controle de sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais.

De acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos consistem em uma abordagem multidisciplinar voltada à prevenção e ao alívio do sofrimento em todas as suas dimensões, por meio da identificação precoce e do tratamento adequado de sintomas. Estudos indicam que, quando iniciada logo após o diagnóstico, essa estratégia pode contribuir para melhores desfechos clínicos.

A médica intensivista Isabela Schiffino, especialista em Cuidados Paliativos da Oncologia D’Or, explica que o acompanhamento adequado dos sintomas impacta diretamente na evolução do paciente. Segundo ela, o cuidado paliativo não se restringe ao fim da vida, mas está relacionado à promoção do bem-estar e à valorização da vida durante todo o curso da doença.

Apesar dos avanços, a Medicina Paliativa ainda é pouco conhecida pela população. No Brasil, a área foi reconhecida como atuação médica pelo Conselho Federal de Medicina há cerca de 15 anos e passou a integrar oficialmente a grade curricular dos cursos de Medicina apenas em 2022, com o objetivo de formar profissionais capacitados para atuar em equipes multiprofissionais, respeitando os princípios da bioética.

A relevância do tema é respaldada por estudos científicos. Uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA) avaliou 144 pacientes com câncer avançado que não estavam em fase terminal. Os resultados mostraram que aqueles que receberam pelo menos dez intervenções de cuidados paliativos apresentaram sobrevida superior a dois anos em comparação aos pacientes que não tiveram acesso a esse tipo de acompanhamento.

Outras evidências apontam benefícios adicionais. Um estudo realizado nos Estados Unidos com pacientes com câncer metastático de pulmão de não pequenas células identificou menor incidência de depressão entre aqueles que receberam cuidados paliativos — 16%, contra 38% no grupo controle — além de melhores índices de qualidade de vida e maior sobrevida.

A abordagem envolve uma equipe composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais e apoio espiritual, que atuam de forma integrada para auxiliar pacientes e familiares no enfrentamento da doença.

No contexto oncológico, os cuidados paliativos assumem papel relevante diante da alta incidência de câncer no país. Em 2024, a doença foi responsável por mais de 266 mil óbitos no Brasil, ficando atrás apenas das enfermidades cardiovasculares. Segundo especialistas, a introdução precoce dessa abordagem pode reduzir a sobrecarga dos serviços de saúde e contribuir para um tratamento mais humanizado.

Estudos internacionais reforçam esse cenário. Uma pesquisa realizada na Bélgica com pacientes com câncer avançado e expectativa de vida de até um ano mostrou que aqueles que receberam cuidados paliativos precoces apresentaram melhores índices de qualidade de vida após 12 semanas, em comparação aos pacientes submetidos apenas ao tratamento oncológico convencional.

Especialistas destacam que a comunicação clara e empática é fundamental para esclarecer aos pacientes que os cuidados paliativos não significam a interrupção do tratamento ou a desistência da recuperação, mas sim a ampliação do suporte oferecido, independentemente da evolução da doença.


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