Reação ao Congresso

Lula veta R$ 400 milhões em emendas e remaneja R$ 7 bi do Orçamento

Objetivo é repor verba de políticas sociais que foram alvo de tesourada dos parlamentares
Por Redação 14/01/2026 - 13:26
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Lula repõe verba de políticas sociais que foram alvo de tesourada dos parlamentares, que direcionam recursos por interesse eleitoral
Lula repõe verba de políticas sociais que foram alvo de tesourada dos parlamentares, que direcionam recursos por interesse eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o repasse de R$ 400 milhões em emendas parlamentares. O montante já estava fora das regras legais, mas foi carimbado pelo Congresso Nacional para inflar emendas no Orçamento de 2026 sem acordo prévio com o governo.

Além disso, pouco mais de R$ 7 bilhões em emendas serão remanejados por meio de atos do Executivo, sem necessidade de aprovação do Legislativo. Outros R$ 3 bilhões, aproximadamente, também ficarão travados à espera do envio de um projeto de lei ao Congresso para recompor as ações desidratadas, mantendo a execução dentro do limite de R$ 50 bilhões estabelecido em lei. Nesse último caso, será necessário negociar a mudança com os parlamentares.

O objetivo do governo Lula é repor a verba de políticas sociais, como o Auxílio Gás e o Pé-de-Meia, que foram alvo de uma tesourada dos parlamentares, que redirecionaram os recursos para ações de seu interesse em ano eleitoral. Ao todo, o valor movimentado pelos congressistas chegou a R$ 11,5 bilhões.

O embasamento para o veto está na lei sancionada em novembro do ano passado, que definiu novas regras para a execução de emendas parlamentares na Lei Orçamentária Anual. A norma foi elaborada após questionamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), que cobrou maior transparência e rastreabilidade na destinação desses recursos.

A norma disciplina um limite máximo de verbas carimbadas para os deputados e senadores. Também proíbe o cancelamento de despesas discricionárias do Executivo -usadas para financiar contratos de custeio e investimentos, chamadas de “RP2” no jargão orçamentário- para redirecionar a verba a outras ações com localização ou destinatário específico.

Pela lei, o limite em 2026 será de R$ 26,6 bilhões para emendas individuais, R$ 15,2 bilhões para as de bancada (dos quais R$ 4 bilhões foram remanejados para o fundo eleitoral) e R$ 12,1 bilhões para as emendas de comissão. Os R$ 11,5 bilhões foram remanejados para além desses valores. Dentro desse montante, o governo identificou cerca de R$ 400 milhões inseridos com destinatário ou localização específica, infringindo a legislação. Daí a necessidade de veto.

Em eventos públicos anteriores, Lula já havia feito críticas à ampliação do controle do Legislativo sobre o Orçamento federal. "O Congresso Nacional sequestrar 50% do Orçamento da União é um grave erro histórico", afirmou o presidente em declaração no ano passado.

Lula tem até esta quarta-feira (14) para sancionar o Orçamento de 2026. Segundo um integrante da equipe econômica, a estratégia de recomposição dos valores foi traçada de forma a tentar evitar que um veto puro e simples seja futuramente derrubado pelos parlamentares, dificultando ou até inviabilizando a reposição das verbas.

Para colocá-la em prática, o governo vai lançar mão do dispositivo da própria LOA (Lei Orçamentária Anual) que autoriza a anulação de até 30% dos valores de despesas discricionárias para suplementar outras ações.

Isnaldo Bulhões e os cortes sociais

Durante a tramitação, o relator da proposta, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), chegou a cogitar um percentual menor, de 10%, o que limitaria a ação da equipe econômica. Mas o governo acabou assegurando a aprovação do dispositivo, o que agora lhe dá maior margem de manobra sem necessidade de aval do Legislativo.

Bulhões reduziu R$ 436 milhões do programa Pé-de-Meia, que paga bolsas de incentivo à permanência de alunos no ensino médio. A ação já havia perdido outros R$ 105,5 milhões durante a tramitação das contas de 2026 na CMO (Comissão Mista de Orçamento). Ele também tirou outros R$ 300,7 milhões do programa Auxílio Gás dos Brasileiros, que paga a famílias de baixa renda o valor equivalente a um botijão de gás de cozinha de 13 kg.

Essa política também já havia perdido recursos nos relatórios setoriais da CMO. No saldo final, o valor reservado caiu de R$ 5,1 bilhões para R$ 4,73 bilhões.

Também houve cortes de R$ 391,2 milhões no seguro-desemprego, R$ 262 milhões em bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), R$ 207 milhões no abono salarial e R$ 72 milhões em bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Na Previdência, o relator fez um corte de R$ 6,2 bilhões no valor destinado aos benefícios. Com a mudança, os recursos reservados caíram de R$ 1,134 trilhão para R$ 1,128 trilhão. Segundo técnicos do governo, essa redução se deu porque o governo reviu a projeção do INPC, indicador de inflação que é referência na correção do salário mínimo. O problema é que o Executivo indicou as ações para as quais os recursos deveriam ser remanejados, o que não foi seguido pelos parlamentares.


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