ENTENDA

Juiz sequestrado em São Paulo: polícia suspeita de "golpe do amor"

Vítima foi resgatada em cativeiro em Osasco após usar palavra secreta
Reprodução
Juiz sequestrado em SP passou 24 horas preso em cativeiro
Juiz sequestrado em SP passou 24 horas preso em cativeiro

A Polícia Civil de São Paulo investiga a possibilidade de que o sequestro de um juiz ocorrido na capital paulista esteja relacionado ao chamado “golpe do amor”, prática em que criminosos usam perfis falsos em aplicativos de relacionamento para atrair vítimas. O magistrado foi sequestrado na noite de domingo, 18, na Avenida Rebouças, na Zona Oeste da cidade, e libertado após mais de 30 horas em cativeiro, em Osasco, na Região Metropolitana.

Inicialmente, a polícia informou que o juiz e auditor fiscal Samuel de Oliveira Magro havia sido escolhido de forma aleatória para um sequestro-relâmpago. No entanto, com o avanço das investigações, surgiram indícios de que ele possa ter sido alvo do golpe, do qual já teria sido vítima em 2021.

Por precaução, segundo a polícia, a vítima havia combinado uma palavra-chave com o companheiro para indicar situações de risco durante encontros. Durante o período em que estava sob poder dos sequestradores, o juiz conseguiu atender uma ligação telefônica e utilizou o código combinado, o que levou o companheiro a acionar o 78º Distrito Policial, que repassou o alerta à Divisão Antissequestro (DAS).

De acordo com o delegado Fábio Nelson, da DAS, os criminosos abordaram o juiz quando ele parou o veículo na Avenida Rebouças. “Foi um sequestro por oportunidade. A rotina da vítima não foi estudada. Ele foi levado para um cativeiro na cidade de Osasco”, afirmou.

Cinco suspeitos foram presos em flagrante durante a ação de resgate, realizada por agentes da 2ª Delegacia Antissequestro (DAS/DOPE) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Arthur Dian, o grupo integra uma quadrilha especializada em sequestro-relâmpago e alguns dos envolvidos já tinham passagens pela polícia.

Durante o cativeiro, os criminosos tentaram realizar transferências bancárias usando o celular da vítima, mas não obtiveram sucesso. Após ser libertado, o juiz estava bastante abalado e precisou ser levado a um hospital, onde depois reencontrou a família.

A polícia informou que as investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do caso e a eventual ligação com o golpe do amor, prática que, segundo a DAS, teve redução significativa nos últimos anos no estado.


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