SAÚDE

Câncer ligado a prótese de silicone: entenda o diagnóstico de infuenciadora

Doença rara afeta sistema linfático e pode surgir anos após a cirurgia
Por Redação 07/02/2026 - 10:30
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Reprodução/vídeo
A influenciadora Evelin Camargo descobriu o linfoma após inchaço repentino na mama
A influenciadora Evelin Camargo descobriu o linfoma após inchaço repentino na mama

A influenciadora e atriz Evelin Camargo descobriu, no fim de dezembro, um tipo raro de câncer associado a implantes mamários após perceber o aumento repentino de uma das mamas. A suspeita inicial era de ruptura da prótese, mas exames mostraram que o implante estava intacto. O que chamou a atenção foi a presença de líquido ao redor da prótese, condição considerada incomum anos após a cirurgia.

Após a realização de exames laboratoriais e análise por imunohistoquímica, foi confirmado o diagnóstico de linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido pela sigla BIA-ALCL. Segundo relato da influenciadora em redes sociais, a doença estava restrita à cápsula que envolve a prótese, e o tratamento indicado foi a retirada do implante.

O que é o BIA-ALCL

O BIA-ALCL não é um câncer de mama. Trata-se de um tipo de linfoma, ou seja, um câncer que se origina nas células do sistema linfático, responsáveis pela defesa do organismo. A doença se manifesta na região da mama porque está relacionada à presença do implante, que pode provocar um processo inflamatório crônico ao longo do tempo.

Especialistas explicam que as células malignas costumam se desenvolver na cápsula fibrosa formada ao redor da prótese, e não no tecido mamário. Essa característica influencia diretamente o tratamento e o prognóstico da doença.

O linfoma associado a implantes é considerado raro. Estudos científicos estimam uma média de um caso para cada 30 mil mulheres com próteses mamárias, com variações conforme o país, o tipo de implante e o tempo de uso.

Na maioria dos registros, o diagnóstico ocorre entre sete e dez anos após a cirurgia, embora possa surgir antes ou depois desse período. Especialistas apontam que pode haver subnotificação, já que muitos casos são tratados apenas com cirurgia e não entram em sistemas oficiais.

Pesquisas indicam uma associação mais frequente do BIA-ALCL com próteses de superfície texturizada. Isso não significa que o câncer ocorra apenas nesse tipo de implante, nem que a prótese seja a causa direta da doença, mas que determinadas características podem aumentar o risco.

Especialistas explicam que a textura pode favorecer inflamações persistentes e a formação de biofilme bacteriano, mantendo o sistema imunológico ativado por longos períodos. Esse estímulo contínuo pode, ao longo do tempo, contribuir para alterações malignas nas células de defesa.

Sinais de alerta, diagnóstico e tratamento

O principal sinal de alerta é o inchaço tardio da mama, causado pelo acúmulo de líquido ao redor da prótese. Dor persistente, endurecimento, assimetria repentina, nódulos e secreções também devem ser investigados.

Especialistas afirmam que o seroma tardio não é considerado normal muitos anos após a cirurgia e sempre deve ser avaliado. A investigação envolve exame físico, exames de imagem e, quando indicado, análise do líquido ou da cápsula, com testes específicos de imunohistoquímica.

Quando o linfoma está restrito à cápsula do implante, o tratamento geralmente consiste na retirada da prótese e da cápsula em bloco. Nesses casos, o prognóstico costuma ser favorável, especialmente quando o diagnóstico é precoce.

Se houver disseminação para linfonodos ou outros órgãos, situação menos comum, pode ser necessário tratamento complementar, como quimioterapia ou imunoterapia. Mesmo nesses cenários, especialistas destacam que o BIA-ALCL é, em geral, uma doença potencialmente curável.

O caso reforça que próteses mamárias não são dispositivos permanentes e exigem acompanhamento contínuo. Além do BIA-ALCL, existem outros riscos associados ao uso prolongado, como contratura capsular, ruptura, seromas tardios e necessidade de novas cirurgias.

Especialistas orientam que o monitoramento não deve depender apenas do surgimento de sintomas. As agências reguladoras recomendam a realização da primeira ressonância magnética cerca de cinco anos após a colocação da prótese e, depois disso, a repetição do exame a cada dois ou três anos.

Alterações como inchaço súbito, dor persistente, acúmulo de líquido, endurecimento ou assimetria devem sempre ser investigadas. A informação e o acompanhamento regular são apontados como fundamentais para que mulheres com implantes possam identificar precocemente possíveis problemas e tomar decisões conscientes sobre a própria saúde.


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