Economia
Estados do Nordeste aderem ao subsídio do diesel; veja como vai funcionar
Medida concede subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel; custo será dividido entre União e estados
Todos os estados do Nordeste aderiram à proposta de subsídio ao diesel importado apresentada pelo Ministério da Fazenda, segundo articulação com o Comsefaz. A medida, de caráter emergencial, busca conter os impactos da alta dos combustíveis provocada pelas tensões internacionais, especialmente a guerra no Oriente Médio.
A princípio, no cenário nacional, mais de 80% das unidades da federação sinalizaram adesão — o equivalente a cerca de 22 ou 23 estados.
No Nordeste, no entanto, a adesão foi total, evidenciando alinhamento regional diante do impacto direto que o diesel tem sobre a economia local. Antes da adesão, a Secretaria da Fazenda de Alagoas realizou estudos técnicos para avaliar os impactos da medida no estado, especialmente no abastecimento e na arrecadação. A expectativa é que o programa funcione como um mecanismo de amortecimento diante das variações internacionais, intensificadas por conflitos geopolíticos recentes.
Entenda como funciona o subsídio
A proposta prevê um subsídio temporário de:
R$ 1,20 por litro de diesel importado
Duração de dois meses
Divisão de custos:R$ 0,60 pagos pela União
R$ 0,60 pagos pelos estados
A medida será formalizada por meio de medida provisória, conforme anunciado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Por quê o Nordeste aderiu em peso?
A adesão integral dos nove estados nordestinos está diretamente ligada à forte dependência do diesel em setores estratégicos da região:
Transporte rodoviário de cargas
Logística de alimentos e combustíveis
Transporte público
Atividades agrícolas
Com grandes distâncias internas e forte circulação de mercadorias, qualquer alta no diesel tem efeito imediato sobre o custo de vida.
Além disso, o Nordeste costuma ser mais sensível à variação de preços por questões logísticas, o que torna medidas de contenção ainda mais urgentes. Segundo o Comsefaz, a contribuição de cada estado será proporcional ao volume de diesel consumido.
A iniciativa surgiu como alternativa após a resistência de governadores à proposta inicial de zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel. Para contornar o impasse, o governo optou por um modelo de compensação direta, considerado mais rápido de implementar e com menor impacto imediato sobre a arrecadação estadual.
O programa tem caráter emergencial e deve valer por um período limitado, inicialmente até o fim de maio, funcionando como uma espécie de amortecedor para suavizar os efeitos da volatilidade internacional sobre os preços internos.



