Investigação

PF aponta uso de influenciadores para favorecer Banco Master, diz site

Agência Spark confirma que recebeu proposta, mas afirma ter recusado contrato
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 15/04/2026 - 19:00
A- A+
Divulgação
Delação do banqueiro André Vorcaro é tida como certa no meio jurídico
Delação do banqueiro André Vorcaro é tida como certa no meio jurídico

A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro registros de diálogos que indicam negociação para contratação de influenciadores digitais com o objetivo de promover conteúdos favoráveis ao Banco Master, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o site, as conversas envolvem a agência Spark, que teria sido procurada no fim de 2024 para orçar uma campanha voltada à divulgação de produtos da instituição financeira, em meio a questionamentos sobre sua solidez.

Procurada, a agência confirmou que recebeu a solicitação, mas afirmou que o projeto não avançou. Em nota, a Spark disse que considerou a proposta “eticamente incompatível” com seus critérios de atuação e decidiu não firmar contrato com influenciadores.

A investigação aponta que essa é a segunda agência citada em tratativas relacionadas à possível contratação de influenciadores para divulgar conteúdos positivos sobre o banco. A PF apura se houve também tentativa de uso dessas estratégias para atacar autoridades do Banco Central do Brasil e influenciar o ambiente público após a liquidação da instituição.

As apurações já mencionavam a atuação da agência Mithi, ligada ao empresário Thiago Miranda, e incluem pagamentos a personalidades da internet. Reportagem anterior apontou que o jornalista Léo Dias teria recebido valores milionários do banco.

Segundo a PF, o padrão de atuação identificado nas investigações sugere uma estratégia coordenada de uso de influenciadores para impactar a opinião pública em momentos críticos enfrentados pela instituição.

Preso desde o dia 4 de março, Vorcaro negocia atualmente um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Confira nota da agência na íntegra: 

“Em outubro de 2024, período em que o escândalo envolvendo o Banco Master ainda não havia sido exposto publicamente, a agência recebeu uma solicitação para orçar uma campanha de marketing de influência visando promover um produto de investimento da instituição. Ao tomar conhecimento do teor do projeto, de endossar a solidez do produto aos investidores a partir de perfis com autoridade no assunto, a alta direção da Spark cancelou as solicitações de orçamento com influenciadores imediatamente e declinou o projeto, por entender que dar seguimento ao trabalho seria eticamente incompatível com os critérios que orientam sua atuação há 11 anos no mercado. Nenhum contrato foi firmado com influenciadores”, afirmou, em nota.



Encontrou algum erro? Entre em contato