Política

Senador Ciro Nogueira recebia mesada de R$ 500 mil de Vorcaro, segundo a PF

Repasses eram feitos por meio da “parceria BRGD/CNLF", pessoa jurídica
Por Redação 07/05/2026 - 13:20
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Reprodução
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro: relações financeiras e políticas
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro: relações financeiras e políticas

A Polícia Federal (PF) aponta que o senador Ciro Nogueira (PP) recebia repasses mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que chegaram a R$ 500 mil por mês. Nogueira foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira,7,  na quinta fase da Operação Compliance Zero. Ele estava em sua residência, no Lago Sul, em Brasília (PF), quando os agentes da PF deram início às buscas.

Ainda segundo os investigadores da PF, a relação entre o senador e o banqueiro extrapolava a “mera amizade“, o “vínculo fraternal” ou “atuação política regular“, e configura trocas financeiras e políticas, que são descritas na apuração. Entre essas trocas, a PF destaca:

- a aquisição de participação societária estimada em aproximadamente R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão;
- repasses mensais de R$ 300 mil, ou mais – considerando relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil;
- a disponibilização gratuita, por tempo indeterminado, de imóvel de elevado padrão; e
- pagamento de hospedagens, deslocamentos e demais despesas inerentes a viagens internacionais de alto custo.

A Polícia Federal aponta que o senador era o "destinatário central" das vantagens indevidas de Daniel Vorcaro. Segundo investigadores, Nogueira "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados" do dono do Banco Master.

No documento, a PF aponta como exemplo da relação de favorecimento entre Vorcaro e Ciro Nogueira uma emenda apresentada pelo senador à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia Financeira do Banco Central (BC).

Em nota, a defesa do senador afirma que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar" (veja na íntegra mais abaixo).

Repasses mensais para Ciro Nogueira

De acordo com as investigações, os repasses para o senador eram feitos por meio da “parceria BRGD/CNLF“, pessoa jurídica. As operações eram tocadas por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Cançado é apontado como operador financeiro no esquema de pagamentos ao senador.

No caso, a sigla BRGD se refere à empresa BRGD S.A., que tinha como diretor Oscar Vorcaro, pai de Felipe Cânçado. A outra sigla da parceria se refere à CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que é irmão de Ciro Nogueira e também foi alvo da Polícia Federal nesta quinta.


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