saúde mental

82% dos brasileiros com transtornos associam adoecimento às finanças

Estudo ouviu mil pessoas de todas as regiões do país com diagnóstico formal desses transtornos
Por Redação 16/06/2026 - 08:59
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Assessoria
Pesquisa revela que 82% dos brasileiros com transtornos mentais associam adoecimento a dificuldades financeiras
Pesquisa revela que 82% dos brasileiros com transtornos mentais associam adoecimento a dificuldades financeiras

Uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, revelou que as dificuldades financeiras estão diretamente ligadas ao adoecimento mental da maioria dos brasileiros diagnosticados com transtornos psicológicos. Segundo o levantamento, 81,9% dos entrevistados afirmaram que problemas relacionados ao dinheiro tiveram participação relevante no desenvolvimento ou agravamento de quadros como ansiedade, depressão, estresse crônico e síndrome de Burnout.

O estudo ouviu mil pessoas de todas as regiões do país com diagnóstico formal desses transtornos. As entrevistas foram conduzidas presencialmente por psicólogos especializados para identificar os fatores associados ao surgimento dos problemas de saúde mental.

Os dados mostram que, para 27,1% dos participantes, as dificuldades financeiras foram a causa exclusiva do adoecimento. Outros 32,4% apontaram os problemas financeiros como fator predominante entre diversas causas, enquanto 22,4% os classificaram como uma das principais razões para o surgimento dos transtornos.

Quando questionados sobre o principal gatilho para o adoecimento, 34,6% dos entrevistados citaram as dificuldades financeiras, percentual superior ao registrado para problemas relacionados ao trabalho (20,5%), relacionamentos (11%), separação (10,9%), doenças (8,3%) e luto (5%).

O presidente da ABEFIN, Reinaldo Domingos, afirma que os resultados evidenciam a forte conexão entre saúde financeira e saúde mental. Segundo ele, a pressão constante para pagar contas, lidar com dívidas e enfrentar incertezas econômicas gera impactos emocionais significativos e afeta diretamente a qualidade de vida da população.

A pesquisa também identificou um cenário de fragilidade financeira entre os participantes. Entre os principais desafios relatados estão a dificuldade para pagar contas básicas (69,4%), a existência de dívidas (61,2%), renda insuficiente para cobrir despesas do dia a dia (53,6%) e desemprego (31,1%).

Os efeitos vão além das finanças pessoais. O levantamento aponta prejuízos no lazer para 64,9% dos entrevistados, impactos no humor para 61,9%, nas relações familiares para 60,1%, na qualidade do sono para 56,1%, no desempenho profissional para 42,8% e nas amizades e relações sociais para 39,8%.

Outro dado que chamou atenção foi o alcance do problema entre diferentes classes sociais. Entre os entrevistados da Classe A, 49,1% apontaram os problemas financeiros como principal gatilho para o adoecimento mental, índice superior ao observado em outras faixas de renda. Segundo os pesquisadores, a pressão para manter patrimônio, padrão de vida e compromissos financeiros também pode gerar elevados níveis de estresse.

Regionalmente, os maiores índices de ansiedade foram registrados nas regiões Norte (53,4%) e Nordeste (50,6%). Já o Sudeste apresentou a maior incidência de síndrome de Burnout, com 31,2% dos entrevistados. No Sul e no Centro-Oeste, os problemas financeiros apareceram com mais frequência como principal fator associado aos transtornos mentais.

Entre os jovens de 18 a 30 anos, a ansiedade atingiu 52,3%, o maior percentual identificado pela pesquisa. Já entre pessoas com mais de 60 anos, a depressão alcançou 42,1%.

O estudo também revelou um cenário de pessimismo em relação ao futuro financeiro. Enquanto 35,9% dos entrevistados acreditam que sua saúde mental pode melhorar, apenas 20% demonstram confiança na melhora da situação financeira. Além disso, 67,2% afirmaram ter uma visão pessimista ou muito pessimista sobre suas finanças nos próximos anos.

Apesar da forte relação entre dinheiro e saúde mental apontada pelo levantamento, 48,5% dos participantes disseram nunca ter buscado orientação profissional em educação financeira. Para os pesquisadores, o resultado reforça a necessidade de ampliar ações de educação financeira, inclusão econômica e apoio psicológico como estratégias complementares para prevenir o adoecimento mental da população.

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