Rio Grande do Sul

Caso Oliver: pais são indiciados pela morte de menino de 3 anos

Polícia também aponta tortura dos cinco filhos e diz que crianças sofriam agressões
Reprodução
Pais do Oliver foram indiciados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura majorada
Pais do Oliver foram indiciados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura majorada

A Polícia Civil concluiu, nesta terça-feira, o inquérito sobre a morte de Oliver Grayson, de 3 anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e indiciou os pais do menino por homicídio qualificado e cinco crimes de tortura majorada. Os dois seguem presos preventivamente, enquanto os outros filhos do casal permanecem abrigados.

Segundo a investigação, os cinco irmãos, com idades entre 1 e 9 anos, eram vítimas de violência física recorrente havia cerca de nove anos. Durante o inquérito, 24 testemunhas foram ouvidas e as crianças passaram por perícias físicas e psicológicas. Quatro delas apresentavam cicatrizes, marcas e mordeduras de diferentes idades, provocadas por diferentes instrumentos.

Oliver morreu em 8 de julho, após sofrer um traumatismo cranioencefálico grave com hemorragia subdural. Conforme a polícia, dois dias antes, em 5 de julho, o menino foi brutalmente agredido pelo pai depois de não dar “bom dia” ao genitor. O homem teria dado socos na criança e batido a cabeça dela contra o chão.

O homicídio foi considerado duplamente qualificado pela polícia: por a vítima ter menos de 14 anos e por motivo fútil. O pai foi preso em flagrante no dia da agressão e teve a prisão convertida em preventiva no dia seguinte. A mãe foi presa em 9 de julho.

Investigação aponta participação da mãe

A Polícia Civil também encontrou indícios de que a mãe agredia os filhos e acreditava na violência como forma de educação e disciplina. Segundo a investigação, ela orientava as crianças a não mostrarem o corpo e a não relatarem as agressões.

No dia da morte de Oliver, a polícia afirma que a mãe estava no quarto ao lado enquanto o menino era espancado e não teria impedido a agressão. A versão apresentada por ela de que não teria ouvido os golpes foi considerada improvável pelos investigadores, devido ao tamanho e à estrutura da residência, que é pequena, de madeira e sem portas internas.

A investigação também aponta que a mãe teve oportunidades de buscar ajuda ao longo dos anos. Agentes da rede municipal de proteção chegaram a ficar sozinhos com ela dentro da residência em diferentes ocasiões.

Em um procedimento separado, o pai também foi indiciado por injúria, vias de fato, violência psicológica e estupro contra a companheira. A Polícia Civil analisou ainda a atuação da rede municipal de proteção de Viamão, mas não encontrou elementos para responsabilizar criminalmente os agentes, por não identificar conduta dolosa.

Defesa contesta indiciamento

A defesa de Mayanna Angelina Rodgers afirma que o indiciamento foi precipitado e que a investigação foi encerrada sem a produção de provas consideradas importantes. Os advogados citam, entre elas, uma reconstituição dos fatos que teria sido solicitada pela defesa, mas ainda não analisada pela polícia.

Os advogados também negam que Mayanna tenha participado da morte do filho e contestam a acusação de homicídio por omissão. Segundo a defesa, ela estava inserida em um contexto de violência doméstica, coação e isolamento e não teria condições de impedir o crime.

A defesa também ressalta que Mayanna deve ser considerada inocente até eventual condenação definitiva e afirma confiar que o processo judicial permitirá o esclarecimento dos fatos.


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