saúde pública

Municípios aplicaram, em média, 22,2% da receita em saúde em 2025

101 municípios alagoanos utilizaram 18,9% da receita, percentual maior que o mínimo constitucional
Assessoria
Levantamento da CNM mostra que municípios estão sobrecarregados com orçamento na saúde
Levantamento da CNM mostra que municípios estão sobrecarregados com orçamento na saúde

Em 2025 os Municípios brasileiros aplicaram, em média, 22,2% da receita resultante de impostos e transferências constitucionais em ações e serviços públicos de saúde, conforme dados declarados ao Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops). 

Esse percentual supera em mais de 7,2% o mínimo a ser aplicado em saúde estabelecido pela Emenda Constitucional (EC) 29/2000, fixado em 15%. Os dados fazem parte da segunda edição do panorama do impacto da Média e Alta Complexidade (MAC) do Sistema Único de Saúde (SUS) divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). 

Os dados sobre Alagoas mostram que 99% dos 101 municípios que prestaram informações ao Siops cumpriram o mínimo constitucional em saúde, com uma média de 18,9% aplicado em 2025.

Para a CNM, a sobrecarga financeira imposta aos Municípios na área da saúde tem sido um dos principais desafios para a gestão municipal. "Além da pressão orçamentária, a gestão municipal enfrenta o desafio de novos modelos de remuneração por “pacotes” e a fragmentação do financiamento via programas federais, como o Programa Agora Tem Especialistas (Pate)", destaca o presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski.

Assistência hospitalar e ambulatorial

A principal despesa municipal em saúde foi com Assistência Hospitalar e Ambulatorial, cuja participação no total dos gastos passou de 43,5% em 2020 para 45,8% em 2025, alcançando R$ 155 bilhões. A Atenção Primária à Saúde (APS) apareceu em seguida, aumentando de 34,6% para 36,2% no período e totalizando R$ 122 bilhões em 2025. Assim, de cada R$ 100 aplicados em saúde, aproximadamente R$ 82 foram destinados a esses dois agrupamentos.

Em Alagoas, o percentual da despesa total com a assistência Hospitalar e Ambulatorial por fonte pagadora em 2025 foi o seguinte: 40,9% pagas com recursos próprios dos municípios; 58,6% com recursos provenientes de transferências e 0,6% com recursos vinculados.

A CNM ressalta que enquanto a União e os Estados mantêm aplicações mais próximas dos limites mínimos legais, os Municípios elevaram seu comprometimento médio para 22,2% em 2025, tornando-se os principais financiadores do sistema. Apenas no ano analisado foram R$ 63 bilhões além do mínimo constitucional obrigatório. “É imprescindível o desenvolvimento de medidas estruturantes que promovam a recomposição e readequação do modelo de financiamento do SUS, garantindo uma participação mais equitativa entre a União, os Estados e os Municípios”, enfatiza Ziulkoski.


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