Economia
Corte de gastos de Flávio pode eliminar 2,2 milhões de empregos, diz Dieese
'51% dos cortes recairiam sobre aposentadorias, BPC, seguro-desemprego e abono salarial'
O ajuste fiscal de cerca de R$ 200 bilhões proposto pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) num eventual governo e que ele chama de "tesouraço", pode eliminar aproximadamente 2,2 milhões de postos de trabalho e provocar um impacto negativo equivalente a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB), reduzindo o crescimento econômico previsto para 2027.
A estimativa é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entidade mantida por sindicatos, que divulgou esta semana um estudo sobre os possíveis impactos da proposta, a três dias do segundo turno.
Segundo o Dieese, a redução de gastos também diminuiria a massa salarial em R$ 68,7 bilhões e a arrecadação de impostos em R$ 46,8 bilhões em 2027. A queda na receita consumiria cerca de 40% da economia bruta obtida com os cortes, o que, na avaliação do instituto, comprometeria o próprio objetivo fiscal anunciado pela campanha.
Como a equipe econômica do candidato ainda não detalhou as medidas, o Dieese partiu da hipótese de congelamento das despesas primárias em termos reais, corrigidas apenas pela inflação estimada de 4,5%.
"Diante das câmeras, Flávio e sua equipe econômica não explicam de que forma alcançarão um cortes tão grande, mas a portas fechadas, com investidores, já afirmaram que os aposentados e pensionistas do INSS serão afetados. Os dados agora, expostos pelo Dieese, corroboram ainda mais que é impossível um corte de R$ 200 bilhões sem impactos negativos em benefícios sociais, na Saúde, Educação, fim do aumento real no salário mínimo e, consequentemente, nas aposentadorias do INSS", destaca Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.
O estudo revela ainda uma contradição: ao enfraquecer a economia, o próprio tesouraço comprometeria parte da economia prometida. A queda na arrecadação de impostos seria de R$ 46,8 bilhões, o que, segundo os cálculos apresentados pelo DIEESE, consumiria 40% da economia bruta prevista com o ajuste inicial.
Tesouraço pode elevar desemprego a 7,4 milhões de brasileiros
As projeções do Dieese indicam que, mesmo no cenário mais otimista, a economia brasileira cresceria apenas 0,91% em 2027, ritmo insuficiente para absorver a entrada de novos trabalhadores no mercado de trabalho.
No cenário pessimista, o Brasil entraria em recessão, com retração de 0,15% do PIB. O número de desempregados poderia saltar de 5,8 milhões para 7,4 milhões de pessoas, com a taxa de desocupação chegando à faixa de 6,5% a 7%.
O resultado seria um mercado de trabalho mais restrito, com menos oportunidades de emprego e perda de renda para milhões de famílias brasileiras.
Para alcançar um corte dessa magnitude, o estudo considera que seria necessário atingir algumas das maiores despesas do orçamento federal. Na distribuição simulada pelo DIEESE, 51% dos cortes recairiam sobre transferências de renda, incluindo Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial. Outros 17% atingiriam despesas com pessoal e 32%, as demais despesas públicas.
Isso significa que aposentados, pensionistas, trabalhadores desempregados, pessoas com deficiência, idosos de baixa renda e servidores públicos estariam entre os grupos potencialmente afetados.
Além disso, o congelamento real dos gastos restringiria a expansão dos benefícios, as contratações de servidores e os investimentos públicos, comprometendo a capacidade do Estado de acompanhar o crescimento da população e atender às suas necessidades.



