COLAPSO

Santa Catarina terá triagem para decidir prioridade em vaga de UTI

Por Microsoft News 30/03/2021 - 07:15
A- A+
CNN
Hospitais farão triagem para decidir quais pacientes com covid-19 vão para a UTI
Hospitais farão triagem para decidir quais pacientes com covid-19 vão para a UTI

Há mais de um mês com hospitais completamente lotados, a Secretaria de Saúde de Santa Catarina decidiu adotar um protocolo de triagem para decidir quais pacientes com covid-19 que aguardam na fila de UTI serão transferidos e quais vão receber um tratamento paliativo. A expectativa é de que a decisão possa ser seguida nos próximos dias por outras secretarias de saúde, diante da crise.

Santa Catarina vai seguir os critérios da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), da Associação Brasileira de Medicina de Emergência, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e da Academia Nacional de Cuidados Paliativos. As entidades lançaram em maio de 2020 uma lista de recomendações sobre como alocar os recursos a fim de salvar o maior número de vidas, caso fosse necessário fazer escolhas em um momento de esgotamento do sistema.


Na sexta-feira, os conselhos de secretários de saúde estaduais (Conass) e municipais (Conasems) se reuniram para discutir o problema e viram uma apresentação do protocolo pela médica intensivista Lara Kretzer, primeira autora do documento da Amib. Coordenadora da Residência em Medicina Paliativa da Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Direito pela Universidade de Londres, ela está na linha de frente do atendimento aos pacientes com covid desde o início da pandemia e lembrou que essas escolhas já estão sendo feitas diariamente quando há mais pessoas precisando de recursos do que o disponível.

Dados de Santa Catarina repassados ao Ministério Público mostram que, oficialmente, foram 233 mortes registradas na fila de UTI só em janeiro, fevereiro e março "Recomendamos que as decisões sejam transparentes, com base em critérios elaborados por quem tem expertise técnica e que também passaram por escrutínio de juristas e profissionais de bioética", explica Lara.

A ideia é que todos estejam sujeitos aos mesmos critérios, de modo a evitar inconsistência ou perda de credibilidade. O protocolo foi enviado aos intensivistas do País, mas o momento pede a adoção pelo poder público. "A gente precisa compartilhar o peso dessa decisão. Ela não pode ficar somente nos ombros dos profissionais de linha de frente que estão super desgastados com a carga de trabalho e com tanto sofrimento e morte. Não é justo que eles tenham de definir isso sozinhos", diz.

Leia mais sobre


Encontrou algum erro? Entre em contato