Eleições 2026

Joaquim Barbosa desiste de disputar a Presidência nas eleições de outubro

Ex-ministro do TSE teria comunicado decisão a João Caldas, que diz desconhecer
STF/Arquivo
Ex-ministro do STF Joaquim Barbosa
Ex-ministro do STF Joaquim Barbosa

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa desistiu de disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi comunicada ao Democracia Cristã (DC), partido ao qual se filiou em abril, após pedidos de alianças e investimentos não evoluírem como esperado. Barbosa enviou uma mensagem ao presidente da legenda, João Caldas, formalizando a desistência às vésperas do início do período de convenções partidárias, que começa em 20 de julho.

Segundo apuração de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Joaquim Barbosa comunicou que não será candidato à Presidência da República. A decisão encerra uma tentativa que durou pouco mais de três meses: Barbosa havia se filiado ao DC em abril para debater a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto.

A desistência tem motivação objetiva. Os pedidos feitos pelo ex-ministro ao partido, especialmente a formação de alianças com outras legendas e a garantia de investimentos para a campanha, não avançaram. Sem essa base, Barbosa avaliou que as condições mínimas para uma candidatura viável simplesmente não existiam, e optou por formalizar a saída antes do início das convenções.

A versão do Democracia Cristã

O presidente do DC, João Caldas, apresentou uma versão diferente: afirmou que continua trabalhando pela candidatura de Barbosa e que o ex-ministro não lhe comunicou qualquer desistência. “O que ele disse é o que diz sempre, que só se lançará com estrutura para a campanha”, declarou Caldas,  reconhecendo, com isso, que o partido ainda não conseguiu oferecer essa estrutura.

A divergência entre as duas versões é reveladora. Enquanto Barbosa teria formalizado sua saída por mensagem, segundo a apuração de Mônica Bergamo, o presidente do DC age como se a candidatura ainda estivesse em aberto. Caldas indicou ao SBT News que o partido tentará construir a estrutura necessária até o encerramento do prazo das convenções, em 5 de agosto, e questionou publicamente por que legendas como União Brasil, PP, Republicanos e MDB não consideram uma coligação em torno do nome de Barbosa. Não há, porém, qualquer sinalização concreta desses partidos nesse sentido.

Condições não atendidas e crise interna


As condições que Barbosa estabeleceu para concorrer eram claras. Em maio, ele afirmou à coluna de Mônica Bergamo que “precisaria sentir boa receptividade” do eleitorado, e acrescentou: “Caso o partido [DC] consiga estabelecer alianças com outras legendas que o permitam ter tempo de TV e recursos, as condições estarão dadas.” Nenhuma das duas premissas se concretizou. O DC não firmou alianças, não reuniu recursos e não construiu a estrutura que pudesse dar visibilidade à pré-candidatura. O resultado apareceu nas pesquisas: Barbosa marcou 1% no Datafolha de junho, mesmo com levantamentos internos do partido que apontavam potencial de crescimento.

A tentativa de candidatura também deixou rastros de conflito dentro do próprio DC. Segundo apuração de Mônica Bergamo e do Brasil 247, a entrada de Barbosa no partido gerou uma crise imediata: o ex-deputado Aldo Rebelo, que já havia se lançado como pré-candidato à Presidência, classificou o ato como uma “afronta”, insistiu na candidatura e acabou expulso da legenda. Rebelo recorreu à Justiça e conseguiu ser reintegrado liminarmente ao DC. A sequência ilustra a tensão gerada quando um partido pequeno tenta atrair um nome de projeção sem ter base consolidada para acomodá-lo.



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