levantamento
Vox Brasil é obrigado a entregar questionário de pesquisa eleitoral
Decisão do TRE-AL aponta cumprimento apenas parcial de ordem judicial
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou que o Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas entregue a cópia integral do questionário utilizado na pesquisa eleitoral AL-05861/2026, levantamento que mediu as intenções de voto para o Governo de Alagoas e o Senado. O instituto terá prazo de dois dias para fornecer o documento à Direção Estadual da Federação União Progressista.
As informações foram publicadas no Diário Oficial do TRE desta quarta-feira, 12. A nova determinação ocorreu depois que a federação informou à Justiça Eleitoral que uma decisão anterior teria sido cumprida apenas parcialmente pelo instituto. O TRE-AL já havia autorizado o acesso ao sistema interno de controle da pesquisa, à identificação dos entrevistadores, às planilhas individuais e ao relatório entregue ao contratante do levantamento.
Segundo a decisão do desembargador eleitoral Maurício César Brêda Filho, o direito dos partidos de fiscalizar pesquisas registradas na Justiça Eleitoral exige acesso suficiente aos dados para permitir a verificação do levantamento. O magistrado concluiu que houve apenas cumprimento parcial das determinações anteriores e mandou o Vox Brasil fornecer a íntegra do modelo de questionário aplicado.
A controvérsia envolvendo a pesquisa, porém, vai além do questionário. O levantamento foi registrado no sistema PesqEle em 8 de junho e tinha divulgação prevista a partir de 14 de junho. A pesquisa tratava das intenções de voto para governador e senador em Alagoas. Em outro processo relacionado ao mesmo levantamento, a Federação União Progressista questionou a ausência de informações consideradas obrigatórias. Entre as críticas estavam a falta de indicação precisa dos municípios e bairros pesquisados, do número de eleitores entrevistados por setor censitário e do detalhamento da amostra final por gênero, idade, escolaridade e nível econômico.
Ao analisar o caso, a Justiça Eleitoral concluiu que o Vox Brasil não havia alimentado o PesqEle com todas as informações exigidas dentro do prazo. A decisão destacou que a chamada “Tabela de Setores Censitários por Mesorregião” apresentada pelo instituto trazia dados genéricos do IBGE, sem indicar em quais dos 102 municípios alagoanos houve coleta presencial nem quantas entrevistas foram realizadas em cada setor.
Um detalhe chamou atenção na decisão: a tabela apresentada pelo instituto estava assinada digitalmente em 8 de junho, às 11h37, quando a coleta de dados de campo ainda estava começando. O magistrado apontou uma “impossibilidade lógica e temporal” de o documento representar naquele momento a amostra final efetivamente coletada.
Diante das irregularidades identificadas, o TRE-AL declarou a pesquisa AL-05861/2026 como não registrada e proibiu definitivamente a divulgação de seus resultados por veículos de comunicação, redes sociais, plataformas digitais ou aplicativos de mensagens. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 10 mil.
O Instituto Vox Brasil foi condenado ao pagamento de R$ 53.205. A Maceió FM Rádios Difusoras Ltda., responsável pela Jovem Pan News Maceió, também recebeu multa individual de R$ 53.205 pela divulgação do levantamento.



