eleições 2026

Propostas revelam pontos em comum entre candidatos ao governo de Alagoas

Saúde, emprego, agricultura, moradia e interiorização estão entre as principais convergências
Divulgação
Lenilda Luna, JHC, Renan Filho e Márcio Jambo; candidatos a governo de Alagoas
Lenilda Luna, JHC, Renan Filho e Márcio Jambo; candidatos a governo de Alagoas

Os quatro candidatos ao Governo de Alagoas partem de campos políticos diferentes e apresentam visões distintas sobre o tamanho e o papel do Estado, mas a leitura dos planos de governo para 2027 a 2030 revela que a distância entre eles diminui quando entram em cena alguns dos principais problemas enfrentados pelos alagoanos. 

JHC (PSDB), Renan Filho (MDB), Márcio Jambo (DEM) e Lenilda Luna (UP) repetem, com formatos e intensidades diferentes, propostas para levar serviços ao interior, gerar emprego e renda, qualificar trabalhadores, fortalecer a produção rural, ampliar o acesso à moradia e incorporar novas tecnologias à educação e à administração pública.

A interiorização é uma das convergências mais evidentes. JHC afirma que as políticas estaduais precisam alcançar os 102 municípios e propõe distribuir melhor investimentos e oportunidades, com apoio a pequenos negócios, produção rural, turismo e infraestrutura fora da Região Metropolitana de Maceió. Renan Filho inclui no plano a expansão da rede de restaurantes populares para o interior, a criação de Centros Regionais de Desenvolvimento Esportivo e um programa de longo prazo para desenvolver o turismo na Região dos Quilombos. 

Márcio Jambo também assume como compromisso aproximar o Governo do Estado dos municípios e coloca o desenvolvimento regional integrado entre os eixos de sua proposta. Lenilda Luna segue pela mesma direção territorial, embora com outro modelo de políticas públicas: propõe novas unidades descentralizadas da Uneal e da Uncisal, fortalecimento da expansão da Ufal e do Ifal e transporte intermunicipal para facilitar o acesso da população do interior aos polos regionais de saúde e educação.

A preocupação com trabalho e renda também atravessa as quatro candidaturas, mas expõe diferenças importantes sobre a maneira de estimular a economia. JHC propõe facilitar a abertura e formalização de empresas, ampliar crédito, apoiar pequenos negócios e cooperativas e interiorizar novas cadeias produtivas, com programas voltados a emprego formal, empreendedorismo e desenvolvimento das vocações de cada região. 

Renan Filho promete criar um amplo programa de qualificação profissional ligado às necessidades do mercado, reduzir barreiras burocráticas para empreendedores e estimular atividades capazes de transformar produção e criatividade em renda. Márcio Jambo também relaciona desenvolvimento econômico a empreendedorismo, inovação, formação profissional e aproximação com o setor produtivo. 

Lenilda Luna, por outro lado, propõe uma participação muito maior do poder público, com frentes de trabalho e um Banco de Desenvolvimento Popular destinado ao financiamento de cooperativas, agricultura familiar, assentamentos e empreendimentos da economia solidária. É justamente nesse ponto que uma preocupação semelhante, gerar trabalho e renda, passa a produzir respostas ideologicamente diferentes.

A qualificação profissional aparece ligada diretamente a essa busca por oportunidades. Renan Filho prevê formação integrada às necessidades do mercado e desenvolvimento de carreiras, além do Escola da Hora Tech, residência tecnológica e fortalecimento dos cursos técnicos. JHC propõe formação técnica associada às vocações regionais, estágio, aprendizagem e primeiro emprego, além de capacitação digital e inteligência artificial. Márcio Jambo promete expandir as escolas técnicas estaduais, criar um Instituto Estadual de Robótica e Inteligência Artificial e desenvolver o Jovem Aprendiz em parceria com empresas. Lenilda Luna também aproxima formação e mercado de trabalho ao vincular a Educação de Jovens e Adultos à qualificação profissional e à inclusão digital.

O campo aparece como outro espaço de aproximação. JHC propõe assistência técnica, crédito, agroindustrialização e acesso aos mercados, além de uma estratégia específica para as cadeias produtivas do semiárido e projetos de irrigação. Renan Filho detalha uma agenda de fortalecimento da agricultura familiar que inclui assistência técnica e extensão rural, crédito desburocratizado, insumos, equipamentos, produção agroecológica, feiras, programas de aquisição de alimentos e sistemas simplificados de irrigação para pequenas propriedades. 

Lenilda Luna também coloca a agricultura familiar entre as atividades que pretende apoiar com financiamento público e defende assentamentos agroecológicos voltados à produção de alimentos. No plano de Márcio Jambo, o desenvolvimento econômico sustentável e regional aparece associado ao setor produtivo e às diferentes regiões do Estado. A coincidência, portanto, está no reconhecimento da importância da produção rural, embora sejam diferentes os mecanismos previstos para financiá-la e organizá-la.

Na saúde, a preocupação comum é ampliar a capacidade do atendimento público e fazer os serviços chegarem mais perto da população. JHC propõe, entre outras ações, interiorizar obstetras e neonatologistas, estruturar atenção pediátrica especializada e criar soluções regionais para áreas em que os municípios não dispõem de determinados serviços. Renan Filho prevê ampliar a rede hospitalar estadual, com foco em saúde da mulher, oncologia, ortopedia, trauma, hemodiálise e urgência, além de criar uma frota de ambulâncias específica para a Central de Regulação de Leitos, destinada a agilizar transferências entre UPAs e hospitais. 

Márcio Jambo promete reduzir filas, ampliar o atendimento especializado, informatizar a rede, integrar prontuários, ampliar a telemedicina e fortalecer a atenção básica e a prevenção. Lenilda Luna defende o fortalecimento da rede pública e apresenta medidas de regionalização para grupos específicos, como protocolos de atendimento hospitalar no SUS estadual para povos indígenas e articulação da média e alta complexidade com hospitais da rede. As propostas não são equivalentes, mas compartilham a defesa de maior presença da estrutura pública de saúde e de atendimento fora de uma lógica concentrada apenas na capital.

A moradia também aparece nos quatro projetos, embora com níveis diferentes de detalhamento. JHC trata habitação juntamente com saneamento, desenvolvimento urbano e políticas sociais e propõe integrar o acompanhamento das famílias vulneráveis a áreas como assistência, saúde, educação, habitação e trabalho. Renan Filho estabelece uma meta objetiva: articular com o Governo Federal a construção de 5 mil casas pelo Minha Casa, Minha Vida, dentro da missão denominada Infraestrutura Regionalizada.

Márcio Jambo propõe ampliar parcerias para construção de moradias populares, promover regularização fundiária e estudar linhas de financiamento habitacional por meio de um futuro banco estadual. Lenilda Luna defende uma intervenção mais ampla, com programas permanentes de moradia, fundos, crédito, subsídios, parcerias com bancos públicos, locação social e requalificação de imóveis. A pauta é comum, mas novamente o alcance e a participação atribuída ao Estado diferenciam as candidaturas.

Outro ponto que atravessa os programas é a tecnologia. Renan Filho propõe o Educação IA, voltado ao desenvolvimento de competências digitais e ao uso ético da inteligência artificial nas escolas, além de residência tecnológica e laboratórios para cursos técnicos. JHC também aposta em formação digital, inteligência artificial e robótica e pretende aproximar universidades, empresas, pesquisadores e startups. Márcio Jambo prevê um Instituto Estadual de Robótica e Inteligência Artificial e leva a digitalização também para a máquina pública, propondo Governo Digital, serviços públicos eletrônicos e integração dos bancos de dados estaduais. Lenilda Luna incorpora a inclusão digital à EJA e à qualificação profissional, embora seu programa dê menos centralidade à digitalização administrativa do que os documentos dos demais concorrentes.

Confira os planos na Galeria de Arquivos abaixo


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