ELEIÇÕES 2026
Alfredo Gaspar: da CPMI do INSS à derrota como vice de Flávio Bolsonaro
Deputado alagoano ganhou projeção nacional, anunciou candidatura ao Senado e desistiu
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) encerrou neste domingo, 25, a maior disputa eleitoral de sua trajetória com uma derrota. Após ganhar projeção nacional como relator da CPMI do INSS, anunciar candidatura ao Senado e abandonar os planos estaduais para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL), o alagoano viu sua chapa perder a Presidência para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com 51,77% dos votos válidos, Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, contra 48,23% de Flávio. O resultado também deixou Gaspar sem a Vice-Presidência e sem outro mandato conquistado para 2027, já que abriu mão de disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados.
Eleito deputado federal em 2022, com 102.039 votos, Alfredo Gaspar chegou ao Congresso após uma trajetória no Ministério Público de Alagoas, onde foi promotor e procurador-geral de Justiça. Também comandou a Secretaria de Segurança Pública durante o governo de Renan Filho (MDB), antes de romper politicamente com o grupo dos Calheiros.
Na Câmara, concentrou parte de sua atuação em segurança pública e críticas ao governo federal. Sua projeção aumentou em 2025, quando assumiu a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Da CPMI do INSS à candidatura ao Senado
Durante sete meses de investigação, Gaspar protagonizou embates com parlamentares governistas e apresentou um relatório de 4.340 páginas. O documento propôs o indiciamento de 216 pessoas, entre empresários, agentes públicos e políticos, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
Apesar da repercussão, o parecer acabou rejeitado por 19 votos a 12, em março de 2026. A comissão encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final. Mesmo assim, Gaspar continuou explorando politicamente sua atuação nas investigações e fazendo críticas ao governo Lula.
Em 13 de abril, o deputado anunciou sua pré-candidatura ao Senado por Alagoas. A movimentação ocorreu após sua filiação ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e colocou seu nome na disputa por uma das duas vagas que seriam renovadas naquele ano.
A candidatura chegou a ser oficializada em 4 de agosto, durante convenção estadual do PL, no Hotel Jatiúca, em Maceió. Na ocasião, Gaspar afirmou que ainda negociava alianças e apoios políticos. Entretanto, menos de 24 horas depois, seus planos mudaram.
A escolha para vice e a derrota
Em 5 de agosto, Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente. A escolha levou o deputado a abandonar a disputa pelo Senado, na qual aparecia entre os nomes mais competitivos, e integrar uma chapa formada exclusivamente por políticos do PL.
A decisão também alterou a disputa em Alagoas, especialmente pela retirada de um concorrente que dividia o eleitorado conservador com Arthur Lira (PP). Dias depois, Gaspar afirmou ao SBT News que havia deixado a candidatura estadual de maneira definitiva para participar de um projeto nacional.
Durante a campanha, percorreu estados do Nordeste e participou de atos ao lado de Flávio. A atuação na CPMI do INSS e sua experiência na segurança pública foram utilizadas como credenciais eleitorais. O deputado também manteve críticas ao governo Lula e defendeu propostas relacionadas ao combate à criminalidade.
A derrota deste domingo representa o encerramento de uma aposta eleitoral que começou com a possibilidade de conquistar uma cadeira no Senado e terminou sem a chegada à Vice-Presidência. Gaspar continuará deputado federal até 31 de janeiro de 2027, quando se encerra a atual legislatura.
Esta também foi sua segunda derrota em uma disputa de segundo turno. Em 2020, quando ainda integrava o MDB e tinha apoio dos Calheiros, Gaspar disputou a Prefeitura de Maceió, mas perdeu para JHC.



