FOLCLÓRICOS

Candidatos apostam em apelidos para atraírem o voto do eleitor

Tarzan, Peixada e Bem-Te-Vi estarão nas urnas eletrônicas
Por Tamara Albuquerque 06/11/2020 - 13:32
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Divulgação
Especialistas em marketing político acreditam que o uso desses apelidos pelos candidatos reflete o povo brasileiro
Especialistas em marketing político acreditam que o uso desses apelidos pelos candidatos reflete o povo brasileiro

Uma significativa parcela dos candidatos nas eleições municipais de 2020 em Alagoas optou por registrar a candidatura usando apelido. Na tentativa de chamar a atenção ou evitar que o eleitor não o identifique, os postulantes aos cargos de prefeito, vice -prefeito e vereador usaram a criatividade ou, simplesmente, decidiram aparecer nas urnas como são conhecidos em suas regiões, mesmo que isso renda piadas no lugar de votos.

Diminutivos dos nomes de batismo ou associar a profissão junto ao primeiro nome foram estratégias bem adotadas pelos candidatos, principalmente no interior do estado. Dessa forma, José virou Zé, Zezinho, Zezo; Antônio passou a ser Tonho, Toinho e assim com muitos outros nomes próprios. Muitos surpreenderam o eleitor e são reconhecidos por terem colocaram no registro da candidatura nomes dos pais, das profissões, da empresa ou negócio que têm no município.

É dessa forma que Alagoas registrou o candidato Erivaldo do Espetinho, o Romeu Policial, Flávio do Chico da Granja, a Néa do Geo, vários que adicionaram o título de doutor e pelo menos três candidatos identificados como Padre.

Especialistas em marketing político acreditam que o uso desses apelidos pelos candidatos reflete o povo brasileiro, de fácil integração e cordialidade, o que acaba sendo levado, naturalmente, às eleições mais próximas dos cidadãos. “O apelido tem muito a ver com a maneira de ser do brasileiro, que é divertido, engraçado, gosta de piada. Isso não é comum em outros países”, explica João Miras, estrategista de marketing político ouvido pelo portal de jornalismo Brasil 61.

Para quem gosta de apelidos, as opções são muitas entre os candidatos de Alagoas. Porém, engana-se quem acha que só os que disputam os cargos de vereador ousaram adotar apelidos. Para a majoritária, são muitos os nomes estranhos, como Pino, Nal, Caju, Kil, Peu, irmã Tó, Bel, Tita, Pedoca e até Lula.

As opções aumentam no caso dos candidatos para vereador. No interior de Alagoas, é possível votar em candidatos chamados, Peixada; Peruca; Tarzan do Gado; Bem-Te-Vi; Amadeus Móveis; Vavá da Galinha; Pinininho; Vivi do Pé Leve; Dinho da Serra do Cavalo; Cantor Adriano; Cida do Bolo; Guia do Bar; Cara de Pneu; Neguinho de Jorge, entre muitos outros criativos.

Nacional

Num levantamento realizado pelo Brasil 61, há também registros de candidaturas bem folclóricas, como o Saci Pererê e a Cuca Vem Aí. Outros candidatos resolveram apostar no sucesso recente da franquia dos Vingadores. Hulk e Homem Aranha concorrem no pleito deste ano. Tem também a clássica rivalidade dos quadrinhos: Batman x Coringa. Na corrida eleitoral da criatividade, tem espaço para todos: Ayrton Senna e Schumacher estão no páreo.

Exemplo interessante é o candidato João Sá de Teles Santana (PSL), que resolveu apostar na popularidade dos atuais presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Ele vai concorrer ao cargo de vereador no município de Brusque, em Santa Catarina, com a alcunha Donald Trump Bolsonaro.

“Se a pessoa tem um nome mais engraçado, mais incomum e, ao mesmo tempo, mais fácil de guardar, isso é comunicação, porque você chama atenção e facilita a memorização. Isso é marketing puro, é marketing raiz e representa muito bem o que é o povo brasileiro”, alerta o especialista em marketing.

Os nomes dos pais de Jesus, assim como nas eleições de 2016, são os dois nomes mais comuns entre os candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador nas Eleições Municipais deste ano, de acordo com levantamento do portal Brasil 61. Ao todo, são 27.449 Josés e 20.942 Marias. Há quatro anos, os números eram bem parecidos. Eram 1.131 Josés e apenas 13 Marias a mais.

Entre os 10 nomes mais comuns de candidatos às eleições deste ano, Ana é o único nome feminino além de Maria, aponta o levantamento. São 5.153. Ao todo, são quase 50 mil nomes diferentes. Além dos comuns, que se repetem aos milhares, têm aqueles que são únicos: 33.490.

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