SAÚDE
Como escolher o ortopedista de joelho certo: saiba o que avaliar
Dor persistente no joelho pode gerar dúvida e atrasar o tratamento
Nem toda dor no joelho leva ao mesmo médico, e nem todo médico que atende joelho tem o mesmo perfil. Essa distinção pode parecer óbvia, mas na prática a maioria das pessoas chega à consulta ortopédica sem nenhum critério claro de escolha: vai ao profissional mais próximo, ao que tem vaga mais rápida ou ao que foi indicado por um conhecido sem considerar se aquele ortopedista tem experiência específica na estrutura que está comprometida.
O resultado dessa escolha aleatória nem sempre é ruim, mas nos casos de lesões mais complexas, como rupturas de ligamento cruzado anterior, lesões de menisco com indicação cirúrgica, artrose avançada com necessidade de prótese ou condromalácia em estágio intermediário, a subespecialização do médico começa a fazer diferença concreta nos resultados.
Um ortopedista que opera joelho todos os dias tem curva de aprendizado, volume cirúrgico e familiaridade com complicações que simplesmente não existe em quem trata joelho de forma esporádica.
Este guia reúne os critérios mais relevantes para avaliar um ortopedista de joelho antes de marcar a consulta, seja para uma dor aguda ou para um quadro crônico que ainda não teve diagnóstico definitivo.
Ortopedista geral ou especialista em joelho: qual a diferença na prática
A ortopedia é uma especialidade ampla que cobre todo o aparelho locomotor: coluna, ombro, quadril, joelho, pé, tornozelo, mão, cotovelo. Um ortopedista recém-formado tem contato com todas essas áreas durante a residência, mas poucos profissionais têm domínio cirúrgico e clínico aprofundado em todas elas simultaneamente.
A subespecialização, que ocorre por meio de fellowships e especializações após a residência, é o que cria o ortopedista de joelho, o ortopedista de coluna, o cirurgião da mão e assim por diante.
Para casos simples, como uma torção leve sem lesão estrutural confirmada ou uma dor de início recente sem sinal de alarme, um ortopedista geral é suficiente. Ele vai examinar, solicitar os exames adequados e encaminhar se necessário. O problema está em casos que já têm diagnóstico por imagem ou que envolvem decisão cirúrgica.
Nesse ponto, um profissional que opera joelho com frequência, que conhece os tipos de enxerto disponíveis para reconstrução de LCA, que tem domínio das diferentes técnicas de artroscopia e que acompanha a evolução das próteses de joelho disponíveis no mercado, tem condições de oferecer um plano de tratamento mais preciso e mais alinhado com o estado atual da ortopedia.
O critério não é desqualificar o ortopedista geral. É reconhecer que, para lesões específicas do joelho com indicação cirúrgica ou com histórico de falha de tratamento conservador, a especialização importa.
Formação e certificações: o que verificar
O título de especialista em ortopedia e traumatologia é concedido pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a SBOT, após aprovação em exame específico. Esse é o ponto de partida, mas não o único critério relevante.
O Registro de Qualificação de Especialidade, chamado de RQE, é o número que formaliza a subespecialidade do médico perante o Conselho Federal de Medicina. Um ortopedista com RQE em cirurgia do joelho tem essa subespecialização registrada oficialmente, o que é um dado verificável e concreto.
Além disso, muitos ortopedistas de joelho realizaram treinamento complementar no formato de fellowship, que é uma imersão clínica e cirúrgica com foco exclusivo em joelho após a residência de ortopedia. Esses treinamentos costumam ocorrer em centros de referência nacionais, como o IOT do Hospital das Clínicas da USP, ou em instituições internacionais.
Embora o fellowship não seja um requisito formal para exercer a especialidade, é um indicador de comprometimento com a área e de exposição a alto volume cirúrgico durante a formação.
O currículo do médico, disponível muitas vezes no site pessoal ou na plataforma do CFM, traz essas informações. Verificar CRM, RQE e histórico de formação leva menos de cinco minutos e oferece um panorama muito mais objetivo do que se basear apenas na indicação informal.
Volume cirúrgico: por que o número de cirurgias importa
Na cirurgia, volume tem correlação direta com resultado. Não é um preconceito ou uma simplificação: é o que a literatura médica internacional mostra de forma consistente em várias especialidades cirúrgicas.
Um cirurgião que realiza 200 reconstruções de LCA por ano tem domínio da variabilidade anatômica, manejo de intercorrências intraoperatórias e protocolos de reabilitação que alguém que faz 20 procedimentos por ano simplesmente não acumula no mesmo ritmo.
No caso específico das artroplastias de joelho, próteses totais e parciais, o volume é um dos preditores mais estudados de resultado. Centros com alto volume cirúrgico apresentam taxas menores de complicações, tempos de internação mais curtos e índices de satisfação mais altos entre os pacientes.
Isso não significa que um cirurgião de menor volume não possa obter bons resultados, mas é um fator que vale considerar quando a decisão envolve um procedimento de maior complexidade.
Como o paciente pode ter ideia do volume cirúrgico de um médico? Pela experiência declarada no perfil profissional, pelo tempo de atuação na subespecialidade, pelo vínculo com hospitais de referência que realizam esses procedimentos com frequência e, quando possível, pela conversa direta com o médico sobre quantos casos daquele tipo ele trata por ano.
Como avaliar a consulta em si: sinais de um atendimento de qualidade
A primeira consulta com o ortopedista de joelho oferece informações importantes além do diagnóstico. O modo como o médico conduz o atendimento já diz muito sobre o perfil do profissional.
Um ortopedista de joelho experiente começa pelo exame físico detalhado antes de depender exclusivamente dos exames de imagem. Ele palpa a linha articular, testa a estabilidade dos ligamentos com manobras específicas, avalia a amplitude de movimento, verifica derrame articular e examina o alinhamento do membro.
Esse exame clínico, feito com atenção, já levanta hipóteses diagnósticas precisas que a ressonância depois confirma ou refina. Um médico que olha apenas para o laudo da ressonância sem examinar o joelho está pulando uma etapa fundamental.
Outro sinal relevante é a qualidade da explicação sobre o diagnóstico e as opções de tratamento. Um especialista bem formado consegue explicar em linguagem acessível o que está acontecendo na articulação, por que cada opção de tratamento existe, quais são os prós e contras de cada caminho e o que o paciente pode esperar em termos de recuperação.
Na opinião de Dr. Ulbiramar Correia, especialista em ortopedia de joelho em Goiânia, se o médico não tem tempo ou disposição para essa conversa, o paciente tem menos subsídios para tomar uma decisão informada sobre o próprio tratamento.
A indicação cirúrgica, quando presente, também merece atenção. Um ortopedista experiente indica cirurgia quando há critérios clínicos claros para isso, não como primeira opção reflexiva nem como medida adiada indefinidamente quando já há indicação consolidada.
O paciente pode e deve perguntar: quais são os critérios que levaram a essa indicação? Existem alternativas conservadoras que ainda não foram tentadas? Qual é o prognóstico com e sem cirurgia?
Plataformas de avaliação: como usar sem depender delas
Plataformas como Doctoralia e Google concentram avaliações de pacientes sobre médicos e podem ser úteis como referência complementar, nunca como critério único. Uma nota alta com muitas avaliações é um sinal positivo, mas não substitui a verificação de formação e o julgamento clínico baseado na consulta.
É importante observar o padrão das avaliações, não apenas a nota. Comentários que mencionam especificamente a qualidade do diagnóstico, a clareza da explicação sobre o tratamento e o resultado da cirurgia ou do tratamento conservador são mais informativos do que elogios genéricos ao atendimento.
Da mesma forma, críticas recorrentes sobre dificuldade de acesso, consultas muito rápidas ou falta de clareza no diagnóstico merecem atenção.
O volume de avaliações também diz algo sobre o fluxo de pacientes do médico. Um ortopedista com centenas de avaliações ao longo dos anos tem um histórico de atendimento relevante, que permite leituras mais confiáveis do que um perfil com poucas avaliações recentes.
Quando vale buscar referência fora da sua cidade
Em algumas situações, buscar um especialista fora da cidade de origem é a decisão mais razoável. Casos que envolvem lesões complexas, reoperações após resultado insatisfatório, condições raras como lesões osteocondrais extensas ou instabilidade multiligamentar grave, e pacientes que não encontraram diagnóstico adequado após múltiplas consultas locais são candidatos a uma avaliação em centro de referência.
O Brasil tem alguns centros com concentração expressiva de ortopedistas de joelho de alta especialização. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Goiânia concentram um volume desproporcional desses profissionais.
Goiânia, em particular, consolidou-se como polo de turismo médico no Centro-Oeste, com o Hospital Albert Einstein tendo aberto sua única unidade fora de São Paulo na capital goiana e com uma concentração de especialistas que atrai pacientes de todo o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Para quem está nessa situação, pesquisar e consultar os melhores ortopedistas de joelho da sua cidade e, se necessário, avaliar uma consulta em centro de referência são passos que podem fazer diferença concreta no diagnóstico e no resultado do tratamento, especialmente nos casos em que o tratamento local não produziu o resultado esperado.
A segunda opinião não é desconfiança: é prudência
Uma das atitudes mais bem estabelecidas na medicina de qualidade é a busca por segunda opinião antes de cirurgias eletivas ou de decisões terapêuticas relevantes.
Não é desrespeito ao primeiro médico. É um direito do paciente e uma prática reconhecida internacionalmente como parte do processo de tomada de decisão informada.
Para joelho, a segunda opinião é especialmente relevante em casos de indicação de prótese total em pacientes mais jovens, quando o primeiro especialista indica cirurgia mas o paciente ainda tem dúvidas sobre a necessidade, e quando o resultado de um tratamento já realizado ficou abaixo do esperado e o paciente está avaliando os próximos passos.
Um ortopedista experiente e bem formado não se sente ameaçado por uma segunda opinião. O profissional que reage negativamente a essa solicitação oferece, por si só, uma informação sobre seu perfil de atendimento.
Resumo: o que levar em conta antes de marcar
Antes de agendar a consulta, vale verificar: se o ortopedista tem RQE em cirurgia do joelho ou subespecialização declarada na área, em quais hospitais ele opera e se esses hospitais têm estrutura para os procedimentos que ele realiza, qual é o tempo de experiência dele especificamente com joelho, e se há avaliações com volume e padrão de comentário que permitam uma leitura mais confiável do histórico de atendimento.
Na própria consulta, atenção para a qualidade do exame físico, a clareza das explicações e a disposição do médico para discutir as opções de tratamento com o paciente.
Um bom ortopedista de joelho não é apenas aquele que opera bem. É aquele que indica a cirurgia certa para o paciente certo, no momento certo, e que acompanha o processo de recuperação com a mesma atenção que dedicou ao diagnóstico.



