INTERNACIONAL

Sob cerco dos EUA, Irã fará exercício militar com China e Rússia

Manobra ocorre sob pressão militar dos EUA e tensão nuclear
Por Redação 17/02/2026 - 16:20
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Reprodução/vídeo
Forças Armadas do Irã realizaram um evento de exibição de mísseis balísticos e antinavio para o público nas comemorações do aniversário da Revolução Islâmica de 1979
Forças Armadas do Irã realizaram um evento de exibição de mísseis balísticos e antinavio para o público nas comemorações do aniversário da Revolução Islâmica de 1979

O Irã promoverá um exercício naval conjunto com China e Rússia na segunda metade de fevereiro, em meio à pressão militar dos Estados Unidos sobre Teerã. A manobra, chamada Cinturão de Segurança Marítima, será realizada no estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás produzidos no mundo.

Os exercícios acontecem desde 2019 por iniciativa iraniana, mas desta vez ocorrem em um cenário de maior tensão. Desde segunda-feira, 16, forças da Guarda Revolucionária realizam treinamentos com tiro real de lanchas rápidas e outras embarcações. As atividades coincidem com negociações indiretas entre EUA e Irã realizadas nesta terça-feira, 17, em Genebra, sobre o programa nuclear iraniano.

O envio de navios russos e chineses havia sido anunciado no início do mês pelo comandante da Marinha regular iraniana, almirante Shahram Irani, e foi confirmado nesta terça-feira, 17, pelo assessor presidencial russo Nikolai Patruchev.


Segundo informações divulgadas, a China deve deslocar embarcações de sua base em Djibouti, no nordeste da África, onde mantém atualmente um destróier, uma fragata e um navio de apoio. A Rússia pode empregar duas fragatas e um navio de reabastecimento que participaram de exercícios no oceano Índico. Já o Irã deve utilizar meios da 103ª Flotilha, incluindo uma corveta, um navio de comando e um de suprimentos.

A movimentação ocorre enquanto o presidente americano Donald Trump mantém ao menos 12 navios de guerra nas proximidades do Irã e aguarda a chegada de um segundo grupo de porta-aviões, liderado pelo USS Gerald R. Ford. A presença militar inclui ainda centenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk e aeronaves embarcadas, além de reforços enviados a bases americanas na região.

Embora não haja expectativa de confronto, a participação de navios russos e chineses no exercício tende a reduzir a probabilidade de uma ação militar direta contra Teerã no atual contexto de negociações.


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