Segurança
PCC e CV passam a ser tratados como terroristas pelos EUA nesta sexta
Classificação amplia sanções contra as facções brasileiras e torna crime o apoio material
O governo dos Estados Unidos passou a considerar oficialmente, nesta sexta-feira, 5, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida amplia as restrições já impostas às duas facções desde maio, quando elas foram incluídas na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).
A nova classificação foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA e assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo o governo americano, o PCC e o CV estão entre os grupos criminosos mais violentos da América Latina e mantêm atividades que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
Com a designação, passa a ser crime federal nos Estados Unidos fornecer apoio material, financeiro ou logístico às facções. Além disso, integrantes dos grupos podem ter a entrada proibida no país, ser deportados e ter bens bloqueados caso estejam sob jurisdição americana.
As medidas também obrigam instituições financeiras dos EUA a informar às autoridades qualquer movimentação ou ativo relacionado às organizações. O objetivo é dificultar o financiamento de atividades criminosas ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado.
Apesar do impacto internacional da decisão, a classificação não produz efeitos automáticos no Brasil. Especialistas apontam que, para ter validade no ordenamento jurídico brasileiro, seria necessária a aprovação de legislação específica ou a adoção de instrumentos internacionais reconhecidos pelo país.
Com a mudança, PCC e CV passam a integrar uma lista de mais de 90 organizações consideradas terroristas pelos Estados Unidos, ao lado de grupos como Hamas, Hezbollah, Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Um levantamento feito pelo AtlasIntel divulgado em 3 de junho, mostra que 53,1% dos brasileiros aprovam a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, contra 44,7% que desaprovam.



