higienismo social
Órgãos cobram fim de remoções compulsórias de pessoas em situação de rua
MPF, MPAL e DPE pedem medidas humanizadas em Maceió
O Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público de Alagoas (MP/AL) e a Defensoria Pública do Estado (DPE/AL) recomendaram ao Município de Maceió o fim imediato de práticas consideradas de higienismo social contra pessoas em situação de rua. O documento foi expedido nesta quarta-feira, 6, durante o mutirão Pop Rua Jud, realizado na Casa de Ranquines.
O documento destaca que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, no julgamento da ADPF 976, um “estado de coisas inconstitucional” relacionado à população em situação de rua no Brasil. A decisão proíbe remoções forçadas, recolhimento compulsório de pertences e o uso de arquitetura hostil.
As instituições também citaram resolução aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, em março deste ano, que condena práticas de discriminação e violência contra pessoas em situação de rua.
Entre as medidas recomendadas estão a suspensão de remoções compulsórias, proibição de estruturas hostis em espaços públicos, garantia de acolhimento digno e atuação integrada entre segurança pública, assistência social e equipes multidisciplinares.
O procurador regional dos direitos do cidadão em Alagoas, Bruno Lamenha, afirmou que políticas públicas não podem ser guiadas pela exclusão social. Já representantes do MP/AL e da DPE defenderam ações integradas e humanizadas para assegurar dignidade e acesso a direitos.
O Município de Maceió e a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã terão prazo de 15 dias para informar as providências adotadas. Segundo os órgãos, o descumprimento poderá resultar em medidas judiciais e comunicação ao STF.



