CONTEÚDO SENSÍVEL
Áudio mostra suspeito tentando manipular criança vítima de estupro em AL
Gravações expõem criminoso tentando naturalizar sofrimento da vítima
A prisão de um homem de 53 anos, ocorrida nesta sexta-feira, 29, pelos crimes de estupro de vulnerável e armazenamento de pornografia infantil, expôs o uso estratégico de mensagens de voz como ferramenta principal de intimidação e controle contra uma criança.
Entre os elementos digitais coletados pela Polícia Civil está um áudio enviado por meio de aplicativo de mensagens. O registro explicita as dinâmicas de manipulação afetiva e controle psicológico exercidas pelo agressor.
"A gente dá um tempo, mas não se preocupe, não. O que eu prometi vou continuar fazendo, tá certo? Independente de qualquer coisa. Tá bom? Fica em paz, fica tranquila, tá? E tudo no início é assim, né? E faz parte da nossa vida, né? Causar um pouco de sofrimento. É como ter um filho também, né? É pior ainda. Fica de boa, tá? Não tenha raiva do seu tio não, tá bom? Eu te adoro muito, tá certo? Beijos", diz o suspeito.
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Na mensagem de voz, o homem tenta normalizar o sofrimento físico experimentado pela criança durante os abusos sexuais, buscando convencer a vítima de que dores psicológicas e físicas seriam reações "comuns" para o momento. Por meio de falsas promessas de compensações financeiras ou materiais, o criminoso tentava calar a criança, impedindo que os fatos chegassem ao conhecimento dos pais ou responsáveis legais, justificando-se com a frase "me excedi".
"Eu levei sim e me desculpa, tá? Por ter forçado assim a barra pra você sentir tanta dor... Não me senti bem em causar dor, até porque não é isso que quero. Eu quero te dar prazer, amor e carinho. E não dores, mas no começo sempre é assim, como expliquei. Você não é acostumada ainda. Começou agora a ser uma mulher, aí... É assim, por mais que coloque lubrificantes, mas dói mesmo. É normal, entendeu?", afirma o homem.
"Olha, eu sei que eu forcei a barra, tá certo? Me desculpa, tá? Você tá com dor na barriga. Você não foi nem pra escola, bichinha. Eu me excedi também um pouco, né? Forcei a barra. E peço mil desculpas, tá? Eu te prometo que isso não vai se repetir. Pode ficar tranquila sobre isso, tá certo? Não vai se repetir, tá bom? Fica em paz, fica com Deus, tá? Me desculpa mesmo".
O conteúdo gravado serve como um exemplo de grooming, termo que faz referência direta ao aliciamento e à manipulação emocional aplicada por abusadores para conquistar a confiança de crianças e adolescentes. O áudio capturado pela perícia demonstra perfeitamente esse comportamento: o agressor busca construir uma imagem de protetor, minimizando o impacto da violência severa através de palavras de carinho artificial e apelando para termos familiares como "tio".
Essa distorção psicológica gera confusão mental na vítima, dificultando a percepção do crime e retardando o processo de denúncia. Por essa razão, a quebra de sigilo telemático e a análise minuciosa desses registros de voz são cruciais para a materialidade jurídica do crime de estupro de vulnerável.
Especialistas orientam que pais e responsáveis estejam atentos a mudanças abruptas de comportamento, tais como isolamento repentino e tristeza frequente; queda drástica no rendimento escolar; medo injustificado de determinadas pessoas ou resistência em frequentar certos lugares; uso excessivo e escondido de celulares ou redes sociais; e segredos incomuns envolvendo adultos.
A escuta atenta e o acolhimento dentro do ambiente familiar são as ferramentas mais eficazes para que as vítimas se sintam seguras para relatar situações de violência e pedir ajuda.
Canais de denúncia em Alagoas
Caso perceba qualquer indício de abuso contra menores, denuncie imediatamente. No estado de Alagoas, a população pode utilizar os seguintes canais:
- Disque 100 (Direitos Humanos) – Para denúncias gerais de violações de direitos.
- 190 (Polícia Militar) – Em casos de emergência ou risco iminente.
- Disque-Denúncia 181 – Da Secretaria de Segurança Pública, para registros anônimos e totalmente sigilosos.



