INVESTIGAÇÃO

Denúncia de abuso em colégio no Farol é encerrada por falta de provas

Mãe que denunciou o caso teria agredido funcionária e conduzido conversa de forma sugestiva
Por Redação 10/04/2026 - 10:28
Atualização: 10/04/2026 - 11:10
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TV Brasil
Denúncia de abuso em colégio no Farol é encerrada por falta de provas
Denúncia de abuso em colégio no Farol é encerrada por falta de provas

A Polícia Civil de Alagoas concluiu nesta quinta-feira, 10, o inquérito nº 3963/2026 sobre denúncia de abuso em uma escola particular localizada no bairro Farol, em Maceió, e não apontou indiciados. O relatório ao qual o EXTRA teve acesso indica interferência da mãe no relato da criança e registra agressão contra uma funcionária da escola. O caso foi enviado ao Ministério Público.

Segundo a investigação conduzida pela delegada Talita Aquino, da Delegacia de Combate aos Crimes contra Criança e Adolescente (DCCCA), a mãe foi a primeira a ouvir a filha e conduziu a conversa de forma sugestiva, o que teria afetado a espontaneidade do relato e dado margem para alterações no conteúdo apresentado.

O inquérito também registra que a mãe agrediu a funcionária Maria Cícera da Silva no dia seguinte ao suposto fato, na presença da criança. O documento descreve que a genitora insistia repetidamente: “Maria Clara, é ela? É essa, né?”, sem que a menor respondesse.

A Polícia Civil avaliou que o ambiente de pressão pode ter influenciado o comportamento da criança. O relatório cita ainda o risco de falsa memória, quando lembranças podem ser formadas ou alteradas por interferências externas sem uso de técnicas adequadas de escuta.

"Explanadas todas essas circunstâncias e considerando que, embora de suma importância, o depoimento especial não é dotado de valor absoluto, a autoridade policial não vislumbrou elementos que corroborassem o relato da vítima. Por tais razões, deixo de indiciar a investigada pelo crime de estupro de vulnerável (art. 217-A, CP), ressalvando a possibilidade de comprovação da autoria e materialidade ao longo da instrução processual penal", diz trecho.

Em nota encaminhada à imprensa à época dos fatos, a funcionária negou irregularidades e afirmou que apenas auxiliou a criança durante o banho. Testemunhas ouvidas também informaram que não há registros anteriores contra ela. Vale ressaltar que a perícia não encontrou sinais de violência e não houve confirmação de conduta irregular por outros funcionários.

O caso teve origem em denúncia registrada em março, após relato da criança à mãe. Laudo do IML ao qual o EXTRA teve acesso apontou: “Não foram encontrados vestígios de conjunção carnal ou outros atos libidinosos”.


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