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Ministro Fachin dá 10 dias para governador e Assembleia explicarem leilão da Casal
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer que o governador Renan Filho (MDB) e a Assembleia Legislativa expliquem, em dez dias, os critérios que instituíram o Sistema Gestor da Região Metropolitana de Maceió, uma das exigências que terminou no leilão dos serviços de distribuição de água e esgotamento sanitário em 13 cidades, incluindo a capital.
O despacho de Fachin tem quatro páginas e foi publicado no Diário de Justiça no dia 22. O ministro assumiu a relatoria da ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Partido Progressista, o PP, em 16 de junho. A legenda é comandada em Alagoas pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, que é do grupo de oposição ao governador.
Segundo o PP, a composição do Sistema Gestor da Região Metropolitana dá mais poder aos órgãos vinculados ao Governo de Alagoas que aos prefeitos das cidades onde os serviços de água e esgotamento sanitário foram leiloados. De acordo com o partido, 60% dos votos são do Governo ou órgãos ligados ao Executivo e 40% para os chefes do executivo nas cidades.
Além disso, o sistema confere competências executivas para a Assembleia, com três representantes neste órgão colegiado, ferindo o princípio da separação de poderes “uma vez que a norma trazida ao exame do Supremo Tribunal Federal autoriza à Assembleia Legislativa Estadual integrar os órgãos deliberativos da Região Metropolitana, entidade administrativa de função exclusivamente executiva”
Isso acaba “gerando concentração de poder político nas mãos do Estado de Alagoas”, correspondendo “a uma violação do princípio constitucional do federalismo, nomeadamente em sua proteção à autonomia do ente municipal.” O partido pede ainda a suspensão, em caráter cautelar, dos efeitos do artigo 14, da lei complementar 50/2019, que criou o Sistema Gestor da Região Metropolitana e dividiu o peso dos votos para cada um dos integrantes deste conselho.
O principal objetivo do Partido Progressista é impedir que o governador de Alagoas administre, nas condições atuais, os R$ 2,009 bilhões pagos pelo leilão da Companhia de Saneamento de Alagoas, a Casal. A vencedora foi a empresa canadense BRK Ambiental e o contrato dura 35 anos. Para isso, o PP pediu ao ministro Fachin que o artigo 14 da lei 50/2019 seja declarado inconstitucional e os R$ 2,009 bilhões sejam depositados em uma conta judicial ou o Estado “seja proibido de utilizar os referidos recursos, até que seja editada Lei estadual que discipline a distribuição do recurso arrecadado de forma proporcional aos municípios integrantes da Região Metropolitana de Maceió – RMM”.
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