DECISÃO

STF autoriza Globo a encerrar contrato com a TV Gazeta em Alagoas

Decisão encerra renovação compulsória e abre caminho para nova afiliada
Divulgação
Sede da TV Gazeta em Maceió, afiliada de Fernando Collor, agora sem bandeira
Sede da TV Gazeta em Maceió, afiliada de Fernando Collor, agora sem bandeira

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu o pedido da Globo e revogou hoje, sexta-feira, 26, a decisão que obrigava a emissora carioca a renovar contrato com a TV Gazeta, afiliada da emissora em Alagoas e pertencente ao ex-presidente Fernando Collor.

Barroso também permitiu que a Globo tenha uma nova afiliada em Alagoas: a TV Asa Branca, grupo que já transmite o sinal da emissora no agreste de Pernambuco e possui estrutura pronta desde 2023 para iniciar operações no estado. A TV Gazeta ficará sem bandeira, mas continuará no ar com programação local e poderá buscar afiliação com outra emissora nacional. 

Após uma parceria de 50 anos, a emissora carioca havia informado que não renovaria o contrato que se encerrava em 2023, mas a TV Gazeta conseguiu na Justiça alagoana uma liminar para prorrogação compulsória do contrato por cinco anos. A decisão foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), levando a Globo a recorrer ao STF.

O argumento da Gazeta era de que a saída da Globo poderia levar à falência do grupo, que está em recuperação judicial desde 2019. Barroso destacou em sua decisão que a determinação do STJ "trouxe grave insegurança jurídica no setor de radiodifusão". 

O ministro ainda ressaltou que Fernando Collor e Luiz Duarte Amorim, executivo da TV Gazeta, foram condenados pelo STF por corrupção e lavagem de dinheiro, e que a estrutura da TV Gazeta foi utilizada para ocultar vantagens ilícitas.

"Identifico grave lesão à ordem e à economia públicas que justifica o deferimento da providência pleiteada. Em juízo de cognição sumária sobre as teses jurídicas em discussão, próprio das medidas de contracautela, entendo que a ordem de renovação compulsória de contrato de afiliação não é um meio constitucionalmente legítimo para preservar a empresa", afirmou Barroso.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também se manifestou a favor da Globo, afirmando que a renovação compulsória imposta pelo STJ gerava "grave risco de lesão à ordem pública". O Ministério das Comunicações igualmente apontou indícios de infração na concessão da TV Gazeta, já que pessoas condenadas com trânsito em julgado não podem exercer funções em emissoras com concessão pública.

O advogado da TV Gazeta, Carlos Gustavo Rodrigues de Matos, defendeu que a emissora foi surpreendida com o fim da parceria e que o contrato representa 100% da receita da TV Gazeta e 75% do grupo, composto por outras nove rádios. "A empresa investiu R$ 30 milhões em renovação de equipamentos para propagação do sinal da Globo em todo o estado. Somos a maior rede de comunicação de Alagoas, que emprega 400 pessoas", disse.


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